Valores Refugiados – Empoderando mulheres refugiadas

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Valores Refugiados – Empoderando mulheres refugiadas

 Syrian children march in the refugee camp in Jordan. The number of Children in this camp exceeds 60% of the total number of refugees hence the name "Children's camp". Some of them lost their relatives, but others lost their parents.

Pesquisando para escrever este texto, cujo tema são as mulheres refugiadas, me vi frente a um desafio: como falar sobre carreira, coaching e empoderamento de mulheres que se encontram em uma situação de limite total de suas forças, direitos, dignidade?

Foi então que me deparei com um projeto muito interessante de empoderamento para mulheres refugiadas promovido pela Acnur (Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados) chamado Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

Neste projeto, é realizado um workshop para ajudar as mulheres refugiadas a se recolocarem no mercado de trabalho, ensinando-as sobre seus direitos, resgatando sua dignidade e abrindo a elas novas oportunidades.

As mulheres e crianças refugiadas são as principais vítimas dos conflitos e guerras. Nos êxodos que ocorrem nos países em guerra, elas ficam em desvantagens em todos os sentidos. Agora, imagine recomeçar em um país totalmente diferente, não só com a barreira da língua estrangeira, mas com diferenças culturais, religiosas, políticas? E em condição de fuga, recomeçando como uma refugiada? Que chances pode ter uma mulher com esse “rótulo”?

Isso me fez refletir muito sobre a situação em que essas mulheres vivem. É evidente que o workshop oferecido a elas pela PARR é de grande valia e com certeza ajuda a restabelecer a autoestima, a dignidade e a humanidade, que se perdem no processo de êxodo pelo qual passaram. Mas minha reflexão em relação a isso vai além: por meio do viés do coaching, penso também no resgate de valores. Como essas mulheres podem adaptar seus valores, uma vez que eles também estão “refugiados”?

E o que eu quero dizer com isso, valores refugiados? Pense bem: você tem um estilo de vida, trabalha, tem sua família, seus filhos, uma rotina estabelecida de acordo com o que você julga importante e que lhe traz coisas boas, positivas em sua vida. De repente, você deve esquecer tudo isso, deixar para trás tudo o que construiu, não só os bens materiais, mas também os bens intangíveis, como emoções, sentimentos, valores, e ter apenas um foco – sobreviver!

A partir do momento em que ela chega em um país totalmente diferente para iniciar uma nova vida, onde ficam os valores dessa mulher? Como reconstruir uma vida sem a base fundamental dos valores, do que é essencial e inegociável e que ficou para trás?

Não é tão simples assim, pois reconstruir uma vida é também reconstruir valores. E é possível reconstruir valores?

Sim, é possível reconstruir valores e criar novos valores. Mas, para que isso aconteça, é necessário ter a consciência do que eles significam e de qual a influência deles em minha vida. No caso das mulheres refugiadas, eu vejo que a possibilidade de reconstruírem seus valores vem, primeiro, de ter seus direitos humanos básicos restabelecidos – moradia, alimentação, saúde, trabalho –, para que possam entender com o que a nova realidade pode contribuir, para então criar novos valores.

refugiadas-exposicao

Esse exemplo das mulheres refugiadas pode também ser adaptado a nós. Quantas vezes não deixamos nossos valores para trás por causa de uma situação de risco, de trauma, de sobrevivência? E quantas vezes a incerteza de continuar vivendo não bateu à nossa porta, devido à falta de significância de nova situação após um trauma?

Valores conduzem nossas escolhas, são as programações que registramos desde a infância, do que é vital para continuar caminhando, do que é mais importante e inegociável.

Já parou pra pensar sobre isso? Sobre quais são os seus valores e a influência que eles têm em sua vida? E como você viveria se tivesse que abrir mão de todos eles?

Mulheres refugiadas vivem fortemente essa realidade, e a vontade de começar uma vida nova faz com que elas lutem todos os dias em busca de significado, dignidade e oportunidade. E você, luta pelos seus valores?

Para quem ficou interessado em saber sobre o trabalho da PARR, é só clicar aqui.

Adriana Cubas
Adriana Cubas
Coach profissional formada pela Academia Brasileira de Coaching (Abracoaching) e certificação internacional pelo Behavioral Coaching Institute (BCI). Formação em Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi com extensão em Gestão de Pessoas pela FGV. Consultora de educação corporativa, com atuação no desenvolvimento de trilhas, estratégia educacional, soluções de aprendizagem e treinamentos para grandes empresas. Criadora e produtora do Canal do Coaching no YouTube. Colunista e colaboradora dos projetos Mural do Coach, Las Abuelitas (Mulheres Artistas) e Blog Tiago e Gabi.

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