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Uma Artista é Sempre uma Artista

foto:AlexVilasBoas

foto: AlexVilasBoas

Desde criança eu queria ser atriz. Mesmo não frequentando teatro, escrevia minhas peças e obrigava as outras crianças a atuarem nela. Emocionava-me com filmes e aos 10 anos era apaixonada pelo Lima Duarte, meu ídolo na época. Eu queria ser Regina Duarte, porque adorava “Rainha da Sucata” e passava horas brincando de Maria do Carmo.

O tempo passou e fui estudar. Paralelamente com a escola de teatro fiz a faculdade de Direito. E fui fazendo escolhas na vida. Escolhas que me levavam cada vez  mais longe do desejo de viver dos palcos, mas ao mesmo tempo, escolhas que também tinham a ver comigo. Meu Deus que dúvida! Que caminho tomar?

Em crise, decidi ficar dois meses fora do Brasil e descobri a Produção Cultural. Fui trabalhar com uma companhia de teatro inglesa no Festival de Teatro de Edimburgo, na Escócia. Meu trabalho era panfletar, limpar o teatro e receber o público. E o que mais me impressionou naquele espaço era que quase a totalidade das peças do Fringe, festival paralelo ao oficial, eram produzidas e financiadas pelos próprios grupos. Me lembro de um espetáculo, no qual a atriz além de atuar, produzia e escrevia a peça.

Sou a favor de equipe e de cada artista fazer o que lhe compete, mas, naquela altura, eu já tinha tentando formar 03 grupos de teatro, participado de dois núcleos de pesquisa e ensaiado duas peças que morreram meses antes da estreia. Eu queria palco e não sabia como.

Voltei pensando nisso: como me produzir? Como aprender esse caminho para conseguir chegar num ponto de ter um produtor trabalhando comigo?

Bem, ai eu descobri outra paixão: elaborar e produzir projetos culturais. Pensar, escrever, armar toda a estrutura para concebê-los. Descobri que gostava e muito desse processo todo.

E no meio de tantos caminhos veio a dúvida: o que era importante para mim? Ter grana? Jogar tudo para o alto e buscar o palco? Criar oportunidades nesta terceira carreira que aparecia para mim?

Nesse turbilhão, além de ter a ajuda da minha super hiper mega  psicóloga na época, contei com a ajuda de outra profissional que, por sorte minha, é uma grande amiga. Fui fazer coaching.

Com a minha Coaching Adriana Cubas, descobri que o caminho novo que se abria poderia me trazer prazer e, principalmente, seria uma forma de unir meus outros dois caminhos: o de advogada e o de atriz. Mas o mais importante nessa descoberta foi constatar que não preciso correr desesperadamente para o palco. Ele estará lá me esperando. Não importa a minha idade, o meu corpo, as rugas ou cabelo branco. O palco estará lá! Portanto, nada me impede de, daqui uns anos, começar a trilhar exclusivamente esse caminho.

Não, não abandonei o desejo do palco. Uma artista é sempre uma artista. Estou preparando meu corpo, para deixá-lo funcional; presto atenção na voz; leio; vou ao teatro como quem vai a uma palestra: atenta a tudo! Mas, enquanto a vida me exige maior dedicação nas tarefas do mundo, que pagam minhas contas, que me permitem ter liberdade neste mundo capitalista, a atriz fica quietinha esperando a hora de entrar em cena. Sempre se lembrando do velho Shakespeare: Estar pronto é tudo! Quando a oportunidade vier estarei pronta.

Recentemente tive o privilégio de ir para Machu Picchu. Lá, subi a montanha Huayna Picchu. Bem difícil, caminhos estreitos e escorregadios. Eu sempre dizia que queria ir logo para o Peru, para aproveitar a minha idade (tenho 33 anos). Quanta bobagem! Minha parceira de subida foi uma senhora de 70 anos e bengala. Juro! BENGALA! E ela subiu jovem e feliz da vida. Parei com esta bobagem de idade.

Uma artista é sempre uma artista!

O vento pode soprar para outro lado, mas a nossa arte vem junto!

É só se libertar de crenças que nos limitam e voar.

E termino afirmando: uma artista é sempre uma artista!

Para falar mais sobre escolhas e carreira, convidei a Coaching Adriana Cubas para escrever no blog uma vez por mês. Aguardem, vem coisa boa por aí!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural.  Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

4 Comments

  1. Luciene Vespa disse:

    Genial!! Parabéns querida!!!!

  2. Joana Pegorari disse:

    Bem legal criar essa consciência de que nada é pra ontem e que a idade só atrapalha se você deixar… Quero o palco com vc do lado um dia Pri! bjão de quem tá sempre aqui do outro lado da tela…

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