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Elogiada pela crítica, a Taanteatro Companhia volta da Europa para apresentar Artaud, le Mômo.

Florence de Merèdieu[1], professora de estética da Sorbonne, biógrafa e estudiosa do poeta e criador do Teatro da Crueldade Antonin Artaud considerou “sensacional” o desempenho de Maura Baiocchi em Artaud, le Mômo apresentado no Théâtre de Nesle em Paris:

“Baiocchi ultrapassa amplamente todas as interpretações dadas até agora. Ela é Artaud e além de Artaud. Sem dúvida, é a primeira vez que le Mômo é encarnado dessa forma e por uma mulher”,

registrou em seu blog Journal Ethnographique.

Em sua recente e aclamada turnê pela Europa, a “grande riqueza e maturidade impressionante” da Taanteatro Companhia foram testemunhadas não somente pela autora de Eis Antonin Artaud e o público parisiense, mas também no Espaço Antonin Artaud da Chapelle Paraire, último edifício remanescente do antigo manicômio de Rodez, onde o criador do Teatro da Crueldade esteve internado durante os últimos anos da Segunda Guerra Mundial.[2]

“Passei 9 anos internado em asilos de alienados e isto perdoarei jamais a esta sociedade de castrados imbecis que … jamais soube propor a ninguém uma razão válida para existir.” A. Artaud

Foto – Wolfgang Pannek

Artaud, le Mômo estreou em 2016 no Teatro da Aliança Francesa para comemorar o 120º aniversário de Antonin Artaud (1896-1948).[3]  A seguir foi apreciado em curta temporada no Teatro Sérgio Cardoso. A nova temporada do espetáculo, entre 10 de março e 2 de abril de 2017, na Funarte São Paulo, dará ao público paulista a oportunidade de vivenciar a elaboração meticulosa e abusada do universo alucinatório do poeta surrealista. Inspirado em textos artaudianos selecionados – As novas revelações do ser; Verdadeira história de Artaud, o Momo[4]; Supostos e Supliciações; A face humana; O homem árvore, entre outros – o espetáculo demonstra a atualidade da poética artaudiana diante dos conflitos sócio políticos, econômicos e culturais em tempos globais. Confronta os “mantenedores da ordem do lucro das instituições sociais e burguesas”, os agentes das guerras e todas as formas de “escravidão contemporânea” com um combate em favor da “liberdade autêntica” do ser humano criativo.

“E o conflito entre a América e a Rússia, mesmo multiplicado por bombas atômicas, pouca coisa será, face ao outro, que irá, de um só golpe, disparar entre os mantenedores e uma humanidade digestiva por um lado e por outro o homem da vontade pura e seus raros seguidores, mas que têm por si a forca eterna.” A. Artaud

Maura Baiocchi conta com uma equipe internacional e multidisciplinar: o alemão Wolfgang Pannek, co-diretor da Taanteatro, na dramaturgia, os argentinos Onofre Roque Fraticelli e Candelaria Silvestro na criação das vídeo-animações e os brasileiros Gustavo Lemos na trilha sonora e Eduardo Alves no desenho de luz. A encenação integra o projeto Taanteatro 25 Anos e tem o suporte do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo – XXª Edição.

Artaud, Le Mômo

Maura Baiocchi e Taanteatro Companhia

Foto – Paulo Cesar Lima

Sinopse

Artaud, Le Mômo é um espetáculo teatrocoreográfico de Maura Baiocchi sobre a vida e obra de Antonin Artaud. A linha mestra da dramaturgia é “o problema da liberdade autêntica”. Mostra a luta do poeta francês contra a institucionalização das formas de vida e sua tentativa de conquistar um corpo soberano. Artaud, Le Mômo mistura dança, voz, música e vídeoarte. A equipe de criação consiste de artistas do Brasil, Alemanha e Argentina.

Ficha Técnica

Direção, teatrocoreografia, performance e figurino: Maura Baiocchi
Dramaturgia e cenário: Wolfgang Pannek, Maura Baiocchi
Trilha sonora: Gustavo Lemos
Desenho de luz: Eduardo Alves
Videos: Onofre Roque Fraticelli, Candelaria Silvestro, Paula Alves, Bruna de Araujo
Produção: Wolfgang Pannek, Mônica Cristina Bernardes

Serviço

10 de março a 2 de abril de 2017

Sextas-feiras e sábados 19h, domingos 18h

Artaud, Le Mômo

Maura Baiocchi e Taanteatro Companhia

Duração:                        90 min

Local:                             Funarte São Paulo – Sala Renée Gumiel

Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos – São Paulo (próximo ao Metro Marechal Deodoro)

Fone:                              011 3662 5177

Ingressos:                     R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia entrada)

Recomendação:           12 anos

Capacidade:                   50 lugares

Ingressos: Na bilheteria do local uma hora antes do espetáculo.

[1] Florence de Mèredieu,  é autora dos livros  Cést Antonin Artaud, Antonin Artaud dans La Guerre, Sur l’electrochoque – Le cas Artaud, entre outros.

[2] Além disso, Maura Baiocchi e a Taanteatro Companhia apresentaram-se em Strasbourg, Freiburg, Schwerte e Berlin.

[3] Artaud, le Mômo é uma síntese e um processo antropofágico da coreografia desenvolvida em cARTAUDgrafia, trilogia dirigida por Wolfgang Pannek e que traduz dimensões específicas da produção artaudiana – as crises do espírito, da cultura e da linguagem – relativas ao problema da representação no Ocidente.

[4] Na mitologia grega, Momo é uma divindade nascida de Nix, a noite. Expulso do Olimpo por criticar os outros deuses, Momo é a personificação do sarcasmo, das burlas, da zombaria e das grande ironias.  Comparável à função do palhaço ou do bufão.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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