Rosie, The Riveter – A história por trás de uma das grandes imagens do feminismo

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Rosie, The Riveter – A história por trás de uma das grandes imagens do feminismo

 

Uma das imagens mais conhecidas dentro do movimento feminista é a representação de uma mulher com um lenço na cabeça, mostrando o muque com a seguinte frase escrita: We can do it! (Nós podemos fazer isso!). A imagem foi propagada como um dos símbolos do feminismo no inicio da década de 1980.

Porém, o que muitas pessoas não sabem é que essa imagem foi usada em um cartaz criado em 1943 durante a segunda guerra mundial para convocar mulheres a trabalharem nas fábricas produzindo material bélico e, dessa maneira, darem sua contribuição enquanto seus maridos lutavam na guerra. “Rosie, The Riveter” foi criada com um apelo patriótico.

feminismo

A mulher da imagem é uma figura fictícia inspirada na fotografia de uma operária modelo dos Estados Unidos, Geraldine Doyle, de 19 anos, trabalhadora em uma fábrica de Michigan. “The riveter” significa “a rebitadeira”; essa expressão foi inspirada na ferramenta para rebite que serve para unir componentes e chapas, muito usada na indústria bélica. A expressão “Rosie, The Riveter” foi popularizada em uma canção de 1942, um ano antes da criação do cartaz.

Paradoxalmente, as mulheres, que antes deveriam ficar em suas casas cuidando somente do marido e da família, só deixaram de ser consideradas sexo frágil pelos homens por um momento de necessidade e interesses financeiros. A ideologia de diferença de gêneros foi ignorada e as mulheres convocadas a contribuírem nesse período de guerra.

Apesar de ocorrer uma abertura no mercado de trabalho para as mulheres, as condições eram completamente precárias e os salários altamente desiguais comparados aos dos homens.

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Com o fim da segunda guerra e a volta dos soldados ao país, a expectativa era de que as mulheres que estavam trabalhando nas fábricas voltassem para os afazeres domésticos e consequentemente “devolvessem” seus empregos aos homens. E muitas “Rosies” voltaram pra casa, mas tantas outras perceberam que o trabalho nas fábricas era uma nova possibilidade para elas, uma oportunidade de conquistarem sua independência e autonomia e se recusaram a desistir do seu emprego e do seu salário.

O feminismo, que já havia dado indícios durante a Revolução Francesa, apesar de não ter recebido esse conceito na época, foi ganhando cada vez mais força e notoriedade. A figura de Rosie, que inicialmente foi criada pelo governo estadunidense com o intuito de propagar uma necessidade de serviço durante a guerra, acabou se tornando um grande símbolo da luta das mulheres.

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Grandes figuras e celebridades da atualidade reproduziram essa mesma imagem como um símbolo da adesão ao movimento feminista e continuam fazendo-o até hoje. Mulheres como Beyonce, Pink, Alexis Bledel e Miranda Lambert, entre outras.

Debora Delta
Debora Delta
Sou atriz, apresentadora e escritora. Em meu blog “Muito Além Do Óbvio” para a Revista Obvious escrevo entre outros temas, sobre o papel da mulher e sua importância na sociedade. No meu canal no Youtube “Flamingas”, debatemos sobre questões feministas. Discutir sobre a representatividade das mulheres na arte é algo empoderador em diversos sentidos, acredito que a partir da história de mulheres artistas podemos resignificar o nosso lugar no mundo, por isso é um prazer poder colaborar para o Las Abuelitas.

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