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PRECISAMOS FALAR SOBRE GORDOFOBIA!

Em um mundo onde os padrões de beleza ditam regras e comportamentos, em um mundo onde o valor das mulheres se dá principalmente pela sua aparência, ser mulher não é uma tarefa fácil. São milhares de exigências que enfrentamos diariamente: estar com o cabelo arrumado e impecável, usar salto, maquiagem, se depilar, não usar algo muito decotado ou curto, mas apresentar algum toque sensual e, ao mesmo tempo, passar uma imagem de confiança! Mesmo com a ascensão do feminismo e a tentativa de quebra desses padrões, ainda passamos por situações totalmente desgastantes.

Ser mulher e ser gorda é algo ainda mais delicado, em meio ao culto dos corpos magros, fica difícil não se odiar ou ser odiada. Para as mulheres que desde a infância são gordas, o bullying surge de todos os lados e disfarçado de diversas maneiras. O bullying sofrido na escola é cruel e se estende para o ambiente familiar, incluindo aquele parente que afirma estar preocupado com a saúde alheia. Esse é um outro ponto bem importante que dificilmente é discutido: uma maior quantidade de gordura no corpo não significa necessariamente menos saúde. Sedentarismo e má alimentação não estão necessariamente relacionados a obesidade. Existem milhares de pessoas gordas ativas e saudáveis e milhares de pessoas magras com a saúde debilitada. Por isso dizer que uma pessoa deve emagrecer para ser saudável é uma afirmação preconceituosa.

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E, sob a pretensão da preocupação com a saúde, a mídia não apenas instiga a rejeição da mulher gorda sobre si mesma, como também valida o falso direito da sociedade de inferiorizar as mulheres obesas. Esse discurso só aumenta os casos de transtornos alimentares, dificuldade de aceitação do próprio corpo e consequentemente problemas psicológicos causados pela baixa auto-estima.

O bullying também se estende à vida adulta, incluindo o ambiente de trabalho e a vida social dessas mulheres. O número na balança é quase que automaticamente proporcional ao número de restrições, desde ir a uma piscina, sair para dançar, frequentar uma academia ou ir comprar uma roupa. O preconceito e os olhares são tantos que a mulher gorda chega a acreditar que realmente é inferior ou incapaz.

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E mesmo aquelas mulheres que rejeitam o ódio externo e redescobrem a auto-estima; também enfrentam dificuldades, porque a auto-aceitação e o amor próprio de uma mulher gorda ainda é algo inimaginável socialmente.

É papel do feminismo combater esse discurso de ódio contra as mulheres gordas, assim como o discurso disfarçado de preocupação com o bem-estar. Questionar os padrões de beleza que a mídia e a sociedade nos impõem também é tarefa das feministas. É urgente e necessário o empoderamento dessas mulheres na sociedade para que elas vivam plenamente, e não apenas sobrevivam. 

Debora Delta
Debora Delta
Sou atriz, apresentadora e escritora. Em meu blog “Muito Além Do Óbvio” para a Revista Obvious escrevo entre outros temas, sobre o papel da mulher e sua importância na sociedade. No meu canal no Youtube “Flamingas”, debatemos sobre questões feministas. Discutir sobre a representatividade das mulheres na arte é algo empoderador em diversos sentidos, acredito que a partir da história de mulheres artistas podemos resignificar o nosso lugar no mundo, por isso é um prazer poder colaborar para o Las Abuelitas.

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