Quais os valores por trás da maternidade?
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Colaboradora – Juliana Lacerda
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O papel da mulher?

A maternidade real é bem diferente da propaganda de fraldas, a família de verdade não se parece nem um pouco com o comercial de margarina. Ainda bem! Precisamos desmistificar a aura de santidade e romantismo que existe em torno da maternidade e enxergar a mulher real, de carne, osso e sentimentos que não deixa de existir durante a gestação.

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Obviamente gerar uma criança deve ser algo inexplicável e maravilhoso e as mulheres têm todo direito de se sentirem tão poderosas. Mas deixemos simplesmente a mulher ser, a mãe surgir e enfim descobrir que a maternidade pode ser complexa, mas não impossível. Entender que os desafios vão se acumulando, mas que cada fase tem seu encanto e de maneira saudável aprender a lidar com os altos e baixos que fazem parte desse momento. Ouvir a experiência de outras mulheres, entender que nem tudo precisa ser perfeito, compartilhar as dificuldades e as alegrias só fortalece a união feminina e a sororidade durante esse período.

Não é raro ler a seguinte notícia: “A artista sonha em ser mãe, mas espera engravidar quando tiver tempo disponível para se dedicar à maternidade”. Artistas ou não, a mulher que deseja engravidar acaba vivendo esse dilema. Será que é o momento de ser mãe e abandonar ou parar por um momento a carreira? Sem dúvida é necessário abdicar de algumas coisas quando se opta pela maternidade, mas também quando se opta pela paternidade! Ser pai e mãe não é para qualquer um. Como o personagem principal afirma no filme The Detachment – “Deveria existir um pré-requisito, um currículo para poder ser pais, antes das pessoas tentarem”.

Mas a grande pergunta é: Porque a mulher precisa deixar de trabalhar para cuidar dos filhos? Além da questão da educação, outro fator é o tempo de dedicação para os filhos, mas seria muito mais justo se essas responsabilidades fossem divididas igualmente com o homem que normalmente não precisa se preocupar tanto com a mudança de rotina ou abdicar da profissão ao se tornar pai. Dividindo tarefas, sem o peso da culpa, a mulher pode ser mãe, artista e principalmente continuar sendo mulher! E, além disso, casais que adotam essa dinâmica têm como consequência a relação fortalecida, pois ninguém está exausto demais ou desmotivado porque continuam trabalhando e fazendo coisas que gostam e ao mesmo tempo, ambos estão inteirados na educação e evolução dos filhos, podendo celebrar e dividir cada pequeno momento com eles.

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Para mulheres artistas, a falta de rotina é algo delicado durante a maternidade, mas ao mesmo tempo pode ser realmente positivo, pois a mãe artista pode administrar os seus próprios horários e também aprender a priorizar o seu tempo, consequentemente ela irá optar por trabalhos que sejam de grande relevância para ela e para o seu crescimento artístico.

Mas infelizmente as escolhas de trabalho nesse período não são tão simples assim, ainda há um grande preconceito em relação às grávidas no meio artístico, pois dificilmente elas serão escolhidas para algum trabalho durante a gestação e ainda existem muitos casos em que são substituídas para “evitarem futuros problemas”, ironicamente em um ambiente que deveria ser livre de ideias como essas, ainda há tanta intolerância e hostilidade. Uma possível ideia para as mulheres grávidas é criar seu próprio projeto ou se reunir com outras mães para trabalhos artísticos que podem ou não abordar temas relacionados à maternidade. Seria lindo ver coletivos de mulheres mães e artistas!

Se a mulher é artista e mãe solteira, muitas vezes ela vai precisar do apoio da família e reorganizar suas prioridades com mais afinco. Mas ela deve lembrar que ser mãe solteira ou não, não significa ser uma super-heroína. Assim, diminuirá o nível de ansiedade podendo cuidar melhor do filho, da sua vida, da sua arte e desfrutar todos os momentos bons e felizes que a maternidade trouxer.

E que nós mulheres, não nos deixemos levar pelas pressões e cobranças externas, pois sempre seremos julgadas. A mulher é julgada por escolher ser artista, é julgada se é mãe solteira, se não renuncia totalmente seu trabalho por causa da maternidade e se decide não ser mãe é julgada em dobro.

Por um mundo no qual abdicar ou não da carreira para se dedicar completamente a maternidade se torne uma opção e não mais uma imposição.

Débora Delta – Atriz, Apresentadora, Escritora e Colaboradora do Las Abuelitas

http://obviousmag.org/muito_alem_do_obvio/

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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