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Mulheres na Política

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Em 17/04/2016, um domingo à tarde, testemunhamos a votação na Câmera dos Deputados, em Brasília, do prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Antes de começar, devo dizer que este texto será imparcial e, assim, não emitirá nenhuma opinião sobre o ocorrido. O que me chamou a atenção foi o fato de estarmos representados por pouquíssimas mulheres na “casa dos representantes do povo”, como é conhecida a Câmara dos Deputados.

Dos 513 deputados federais eleitos no final de 2014, apenas 51 são mulheres, sendo que houve um crescimento com relação às eleições anteriores, que somavam apenas 45 deputadas.

Vale lembrar que o crescimento se deu em virtude de uma reforma de 2009, que exige que ao menos 30% dos cargos de vereadores e deputados (sejam estaduais, federais ou distrital – como é o caso do Distrito Federal) sejam preenchidos por mulheres.

Já no Senado, nas últimas eleições, apenas cinco mulheres se elegeram, nos Estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Matos, a composição partidária brasileira reflete o patriarcalismo da sociedade: “Todo o processo político acaba sendo muito desestimulante para a mulher”, avalia.

Para entendermos melhor a representação das mulheres na política, temos que ir ainda mais fundo, por volta de 1880, quando a dentista Isabel de Mattos Dillon evocou na Justiça a Lei Saraiva (que permitia aos detentores de títulos científicos votar) para requerer seu alistamento eleitoral.

Em 1894, a cidade de Santos, no litoral paulista, promulgou o direito das mulheres ao voto. Porém, a medida foi derrubada no ano seguinte. Em 1905, três mulheres conseguiram se alistar e votar em Minas Gerais.

Em 1928, foi eleita no Brasil a primeira prefeita: Alzira Soriano de Souza, na cidade de Lages, Rio Grande do Norte. É importante ressaltar que as mulheres só conquistaram o direito a voto em 1932.

No ano seguinte, em 1933, foi eleita pelo Estado de São Paulo a primeira deputada federal do Brasil, a médica Carlota de Queirós.

Deputada Federal Sheridan de Oliveira

Já o Senado elegeu as duas primeiras senadoras apenas em 1990: Junia Marise (pelo Estado de Minas Gerais) e Marluce Pinto (pelo Estado de Roraima). Em 1994, foi eleita nossa primeira governadora, pelo Estado do Maranhão, Roseana Sarney. Já nossa primeira presidente, Dilma Rousseff, foi eleita em 2010 para seu primeiro mandato.

Trazendo esses dados para o nível global, é importante ressaltar que na América Latina a representação das mulheres é maior do que em outras regiões. Além de Dilma Rousseff no Brasil, podemos citar as importantes contribuições da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, a atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, a ex-primeira ministra da Jamaica Portia Simpson Miller e a primeira ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad Bissessar.

Há ainda outras importantes chefes de Estado, excluindo monarcas: Margaret Thatcher, primeira ministra britânica entre 1979 e 1990, e Benazir Bhutto, primeira ministra paquistanesa por duas vezes, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Sem falarmos de Angela Merkel, primeira ministra alemã desde 2005.

Curiosa mesmo estou para as eleições norte-americanas deste ano. A secretária de Estado Hillary Clinton é uma forte candidata à Presidência da República. Será que os Estados Unidos da América elegerão a primeira presidente da história imediatamente após terem eleito seu primeiro presidente negro, Barack Obama? Seria, sem dúvida, mais uma grande conquista feminina na história política.

Talita Car Vidotto
Talita Car Vidotto
Advogada, formada e pós graduada em Direito Empresarial pela Universidade Paulista-UNIP de Campinas/SP. Atuante nas áreas cível e consumidor.

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