As “Artes Cênicas” estão definidas assim no Guia de Carreira:

As Artes Cênicas são o conjunto de técnicas utilizadas para criação, direção, montagem e interpretação de espetáculos. O profissional utiliza os movimentos corporais e voz para desenvolver e representar personagens que transmitem uma história, ideias ou sentimentos para o público.

A historiadora Michelle Perrot, em seu livro “Minha história das mulheres” faz a seguinte pergunta: “Atriz: seria uma profissão ‘boa para mulher’?”. 

Segundo a autora:

“Sim, à primeira vista. As mulheres sabem expressar emoções, simular, parecer. Interpretar, emprestar sua voz e seu corpo a outras. Colocar-se na pele de uma outra. Ser uma imagem e uma voz. Seria a própria essência de uma femilidade dedicada às aparências.

Não, sob outros aspectos. Porque, como escreveu Rousseau a D’Alembert, ‘uma mulher que se mostra se desonra. […] A audácia de uma mulher é sinal certo de sua vergonha.’ Ser atriz é faltar com o pudor, entrar no círculo duvidoso da galenteria, ou mesmo da prostituição(…).”

Michelle mostra em pouco mais de duas folhas que as atrizes deixaram de serem desqualificadas, para se tornarem divas em meados do século XIX. Claro, que não todas: muitas se submetiam a contratos exaustivos e de exploração.

Fui buscar Michelle Perrot, cuja leitura recomendo, para introduzir a entrevista que fiz com a Paola Luna Velluci, uma das organizadoras do Festival “Multicidade”, que começa no Rio de Janeiro, a partir de 31 de outubro.

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Porque um festival só de mulheres? Aqui no blog já discutimos esse destaque, mas essa pergunta nunca deve ser perdida de vista. Afinal, se precisamos destacar nosso trabalho é porque ele não está integrado no trabalho reconhecido como padrão. Na minha opinião temos sim que destacá-lo, para integrá-lo, e não para resumi-lo  como algo à parte, como se fosse um mundo paralelo.

A Paola fala da “urgência de criar um espaço qualificado que atenda à necessidade de reflexão…” e essa frase grudou em mim!

Ih confundi você?! Vou reproduzir as falas da Paola que recebi via email, e que são esclarecedoras.

Ela é uma das organizadoras do Festival Multicidade, e foi muito legal poder trocar estas palavras com ela. Muito obrigada Paola!

Para começar, olha só o currículo da Paola:

Paola Luna Vellucci / ITÁLIA – Em artes Paola Luna. Atriz desde a década de 70, diretora artística, sócia fundadora da produtora Studioline Filmes, Rio de Janeiro, começa, na década de 80, a fase de experimentação na vídeo arte, participando de festivais nacionais e internacionais. Realiza curtas, documentários ecológicos entre outros trabalhos. Na década de 90 continua atuando e pesquisando novas linguagens e formas nas artes cênicas. De 1999 até 2004 curadora e coordenadora geral de Eventos Multimídia no Instituto de Cultura Italiano, onde também atua e realiza a parte visual. Atualmente pesquisa as possibilidade de estimular planos paralelos de percepções através do corpo em ação e das imagens em movimento. Desde 2008 integrante do THE MAGDALENA PROJECT, uma rede internacional de mulheres no teatro contemporâneo.

Muito bacana né?

Paola Luna Vellucci

Paola Luna Vellucci

Porque um Festival de mulheres nas artes cênicas? Para ter  a possibilidade de ampliar os espaços  socias de atuação da mulher em busca do reconhecimento e da valorização da produção artística.

O Festival faz parte da rede do projeto “THE MAGDALENA PROJECT”. Qual a importância deste projeto para as artes cênicas? Quais resultados já podem ser vistos? The Magdalena Project é uma rede de mulheres no teatro contemporâneo  que tem como objetivo a possibilidade de capacitar as mulheres para que produzam trabalhos  que  reflitam, mais profundamente,  suas próprias  experiências, além de também estabelecer um fórum para que as mulheres que atuam em teatro possam se reconhecer e serem vistas. Os resultados da rede, após 29 anos de existência, foram muitos, como p.e, ter  conseguido abranger  mais de 50 paises com grupos nacionais autônomos, organizando festivais, encontros e eventos, com regularidade.     Foram conectadas mulheres e atividades  desenvolvidas em todo o mundo. Festivais, reuniões, palestras, oficinas, produções, livros, filmes …

Você sente que ainda há pouco espaço para a mulher nas artes cênicas? A questão não é tanto ou pouco espaço para a mulher nas artes cênicas, mas sim, a urgência  de criar  um espaço  qualificado  que atenda à necessidade de reflexão, questionamento, reconhecimento, visibilidade e  valorização do fazer artístico das mulheres, através do encontro de artistas, ativistas sociais, pensadoras e realizadoras, onde as mulheres possam ser reconhecidas como produtoras de arte, de conhecimento e de transformação social. Um espaço de intercâmbio e de estimulo à solidariedade entre realidades sociais distintas e de aprendizado mútuo entre as velhas e novas gerações.

Qual a importância de espaços voltados para o destaque das mulheres na arte? A importância  é de reconhecimento, visibilidade, valorização e empoderamento para a contribuição da mulher na pesquisa e na produção artística.

O que as mulheres estão trazendo de novo para as artes cênicas? Você sente diferença na atuação das mulheres nas artes cênicas da Europa e da América latina? A possibilidade de se permitir, como mulheres artistas, de ampliar os espaços sociais de atuação da mulher, no intercâmbio, experimentação, pesquisa e reflexão , se encontrando não apenas no fazer artístico, mas também na  troca de experiência favorecendo o dialogo sobre a condição e as perspectivas da mulher no posicionamento e na atuação social. Dentro deste contexto não acredito que exista  uma diferença entre Europa e América Latina.

Hoje o post tá curtinho! Foi de propósito! Conta pra gente o que você acha sobre o tema. Que tal começarmos uma discussão a respeito nos comentários ou até no fórum?! Você é da música, cinema ou artesanato? Não tem problema! Vamos discutir nossa produção!

Te aguardo!

Priscilla Leal

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014. 

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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