Mulheres Criadoras – Entrevista Natalia Milano

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Colaboradora – Julie Anne Caldas
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Com muita satisfação inicio uma série exclusiva de entrevistas com mulheres criadoras de conteúdo artístico e influenciadoras digitais para o Blog Las Abuelitas!

O objetivo desta série é incentivar e inspirar você, mulher artista, a usar as redes sociais para divulgar seu trabalho, criar conteúdos e dar voz à sua arte.

Para começar, apresento a atriz, diretora, produtora e youtuber Natalia Milano. Natalia, junto com seu companheiro Bryan Ruffo, fundou o canal “Bryan e Nat” no YouTube, que conta com mais de 27.000 inscritos, com conteúdo relacionado a cinema, séries e entretenimento.

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Recentemente, para rebater a polêmica da Escola de Princesas, Natalia criou e produziu o vídeo “Chega de Princesas”, mostrando que o estereótipo da “princesa encantada” está cada vez mais ultrapassado, e indicando uma lista de filmes empoderadores para meninas e mulheres.

Natalia, como você começou sua carreira artística? Quais foram as etapas que você considerou essenciais em sua formação? 

Minha mãe é atriz, comecei desde que nasci, porque ela adorava incentivar o meu lado criativo, dentro e fora de casa. Todas as etapas foram essenciais na minha formação, eu tive a sorte e a oportunidade de sempre ter feito cursos extracurriculares voltados para artes – dança, teatro, cinema. Quando eu era criança, fazia conservatório, onde tinha aulas de sapateado, ballet, jazz, flamenco e flauta. Eu amava, se deixasse, passava o dia lá (só que a conta da cantina ficava inviável). Outra fase muito importante para mim foi ter saído do Brasil e morado e estudado fora por um tempo, porque a minha sensação era que aqui eu já tinha um rótulo, eu já tinha sido enquadrada numa ideia do que era ser a Natalia para a família e os amigos. Quando eu cheguei nos Estados Unidos, senti uma grande liberdade de ser o que eu quisesse. Acho que depois de viver a experiência, percebo que esses bloqueios estão mais dentro de nós do que nos outros. Eu voltei para o Brasil determinada a ser quem eu sou e estou buscando chegar lá cada vez mais.

Como foi a transição de seu trabalho para o YouTube? A linguagem do YouTube favorece a criação artística? 

Favorece muito! Eu fiquei um tempo tentando criar conteúdo e me inserir no mercado de televisão, mas esse é um mercado bem fechado, principalmente porque eu queria fazer conteúdo autoral. E todo mundo me dizia “vai pra internet! A internet é um caminho bom pra você!”, mas eu não dava a mínima para a internet. Quando o canal começou a crescer e a gente conheceu o YouTube space, tudo mudou. Eu passei a ver o YouTube de forma profissional, com mil possibilidades criativas. Um aspecto fundamental que influencia diretamente na criação artística é que a gente cria o conteúdo num ambiente seguro, confortável e livre de julgamento, que é a nossa casa. Se tem um lugar onde somos nós mesmos é dentro de casa. Acredito que esse estar à vontade reflete nos vídeos. Mesmo quando vamos gravar algo com uma produção maior, trabalhamos com parceiros que a gente escolhe e a comunidade na qual estamos inserida é fantástica, amigável, prática e colaborativa.

Recentemente seu vídeo “Chega de Princesas”, uma crítica à escola de princesas, viralizou no Facebook e teve muitas visualizações no YouTube. Como as mulheres artistas podem usar as redes sociais para ajudar no empoderamento feminino e na representatividade, inspirando e conscientizando mulheres e homens?  

Usando a voz que elas têm para falar sobre questões relevantes para elas e para outras mulheres. Hoje muitas mulheres estão criando conteúdo na internet e transformando o ambiente à sua volta ao falarem sobre questões de que ninguém falava antes. Nós, mulheres, não estamos acostumadas com a representatividade, a gente sempre foi massivamente representada de forma distorcida. Os homens já têm isso há muito tempo. Para nós, é surpreendente quando a gente vê um conteúdo que diz exatamente o que a gente pensa. E esse conteúdo está borbulhando agora, direto eu vejo um vídeo e penso: “Nossa, verdade! Como é possível que ninguém nunca tivesse dito isso antes?!”. Eu tenho um canal sobre cinema e para mim faz todo sentido, se eu tenho uma voz, se tem alguém ouvindo, falar sobre questões de gênero no cinema, que são questões que afetam diretamente a minha vida pessoal e profissional.

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Quais os principais obstáculos que você enfrentou e ainda enfrenta para produzir conteúdo para o YouTube e ainda conciliar sua carreira artística?

Como a gente faz todo o processo de criação – ideia, roteiro, produção, direção, iluminação, som, edição, administração… faz falta ter uma equipe. São muitas funções acumuladas, e nisso tem o lado bom, que é de ser 100% autoral. Mas, se você fica gripado, por exemplo, a empresa praticamente para. Nós somos em dois e agora estamos começando a dar os primeiros passos no crescimento do nosso time.

Muitas mulheres artistas ainda têm receio de começar a criar conteúdo para o YouTube. Qual conselho/incentivo você poderia passar a essas mulheres?

Se é isso que elas querem fazer, eu diria para elas: apenas façam. Desejos não se tornam realidade se você não partir para a ação. Começar é difícil, a gente se sente paralisado com dúvidas e inseguranças. Mas, conforme você vai fazendo, o caminho vai aparecendo. Se você começar a andar, com certeza vai chegar em algum lugar, e esse lugar é sempre inesperado. Mesmo que não seja perfeito, mesmo que não seja exatamente como você queria, comece por algum lugar.

Conheçam o canal da Natalia clicando aqui.

 

Adriana Cubas
Adriana Cubas
Coach profissional formada pela Academia Brasileira de Coaching (Abracoaching) e certificação internacional pelo Behavioral Coaching Institute (BCI). Formação em Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi com extensão em Gestão de Pessoas pela FGV. Consultora de educação corporativa, com atuação no desenvolvimento de trilhas, estratégia educacional, soluções de aprendizagem e treinamentos para grandes empresas. Criadora e produtora do Canal do Coaching no YouTube. Colunista e colaboradora dos projetos Mural do Coach, Las Abuelitas (Mulheres Artistas) e Blog Tiago e Gabi.

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