MULHERES CRIADORAS – Entrevista Jackeline Salomão, Nina Dutra e Mariana Zatz

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MULHERES CRIADORAS – Entrevista Jackeline Salomão, Nina Dutra e Mariana Zatz

Identificação + Humor + Feminino = DRelacionamentos.

Hoje, na série Mulheres Criadoras, tenho a honra e a alegria de entrevistar três mulheres artistas, as criadoras do canal DRelacionamentos no YouTube: Jackeline Salomão, Nina Dutra e Mariana Zatz.

DRelacionamentos é um canal de humor e comportamento em que o foco são relacionamentos, empoderamento e sexualidade. Com 200 mil inscritos, o canal é pioneiro em trabalhar humor como forma de empoderamento feminino, conquistando assim um grande engajamento não só no YouTube, mas em todas as redes sociais.

Jackeline, Nina e Mariana foram homenageadas pelo Think Olga como Mulheres Inspiradoras de 2016, na categoria Internet. Elas são realmente muito inspiradoras, como você pode ler abaixo em nossa entrevista.

1 – Como surgiu o canal DRelacionamentos?

Jackeline Salomão – O canal surgiu por um desejo meu e do Felipe (meu marido) de produzirmos algo juntos. Como eu sou diretora e roteirista e Felipe ator, pensamos que um canal no Youtube seria uma boa maneira pra gente divulgar nosso trabalho. E assim surgiu o DR, muito inspirado nas nossas DRs. No começo, os vídeos eram de esquetes clássicas, sempre com um casal. A Nina está presente desde o primeiro episódio. A Mari conheci num curso de roteiro no Rio. E aos poucos fomos formando a turma que temos hoje.

2 – Todas são artistas (Jackeline é produtora e cineasta, Nina é produtora e atriz, Mariana é roteirista) e com atividades paralelas ao canal. Como conseguem conciliar com o YouTube?

Nina Dutra – Fazemos jornada dupla, tripla e o que precisar. É uma questão de decisão e escolhas e de entender que isso vem com sacrifícios. Eu entendo como um período de investimento, que, à medida que tiver retorno, vai mudando, a balança de investimento e retorno vai equilibrando, até podermos nos dedicar mais ao que preferirmos.

3 – Quais os principais obstáculos que vocês passaram e ainda passam para produzir conteúdo para o YouTube?

Jackeline Salomão – A maior dificuldade é que produzir conteúdo para internet requer muita dedicação, e o resultado não é imediato. O retorno financeiro também demora. Então precisamos ter estratégias para fazer crescer o canal e ao mesmo tempo tornar o processo sustentável. Você precisa entender como a plataforma funciona e como o seu público funciona, num constante aprendizado. Produzir conteúdo é um jogo de paciência e persistência.

4 – Recentemente vocês estão chegaram à marca de 200 mil inscritos em 2016 e são pioneiras em fazer humor como forma de empoderamento para mulheres. Qual a influência do movimento feminista na produção de conteúdo do canal e como isso reflete no engajamento não só no YouTube, mas em outras redes sociais?

Mariana Zatz – O movimento feminista foi e continua sendo peça fundamental para a nossa produção de conteúdo. A expansão e o fortalecimento do feminismo nos últimos anos contribuiu, primeiramente, para o NOSSO empoderamento. E, conforme fomos ganhando voz, fomos também abordando cada vez mais esses assuntos. E rapidamente notamos que existe uma demanda para esse tipo de conteúdo, tanto que alguns dos nossos vídeos de maior sucesso tratam justamente de temáticas feministas. E também são esses os vídeos com maior engajamento nas redes sociais, que mais inspiram debates nos comentários e compartilhamentos. Fica claro que é uma temática importante e que merece ser discutida.

5 – Vocês recentemente foram eleitas pelo site Think Olga como três das Mulheres Inspiradoras de 2016, na categoria internet. Como mulheres artistas, o que esse reconhecimento representa e como irá influenciar a produção de conteúdo do DR?

Jackeline Salomão – A indicação do Think Olga foi muito importante para a gente, nos sentimos lisonjeadas de fazer parte desse movimento. Para nós é muito gratificante ver que muitas mulheres se sentem representadas pelas nossas esquetes e que estamos falando o que elas gostariam de falar: sobre sexo, menstruação, TPM. O humor na internet, principalmente na ficção, ainda é muito masculino. Produzido por homens, para homens. A gente quer quebrar esse ciclo. Queremos empoderar as mulheres por meio do humor.

6 – Quais são os vídeos que vocês consideram marcantes na trajetória do DRelacionamentos e por quê?

Nina Dutra – O primeiro, “Tem Alguém”, por ser o primeiro, a nossa estreia; o “Pet”, que foi um grande sucesso na época e foi pra um festival, o primeiro de que a gente participou; o “Como Seria Se a Água Acabasse”, que foi o primeiro episódio da série “Como Seria Se”, que gravamos como piloto de modelo de um novo formato pra apresentar para os meninos, que tinham saído em viagem – ele nunca foi ao ar, mas foi um grande aprendizado e um marco; o “Como Seria Se Os Homens Menstruassem”, que foi o nosso primeiro conteúdo viral; o “Como Seria se Mulheres Curtissem o Machismo”, que projetou o canal entre movimentos femininos, feministas e entre as mulheres; e o “Como Seria Se a Menstruação Fosse Uma Pessoa”, que marcou uma grande virada no canal, trouxe muita projeção e acabou se tornando o nosso maior sucesso até hoje.

 

7 – Muitas mulheres artistas ainda têm receio de começar a criar conteúdo para o YouTube ou mesmo de divulgar seus trabalhos em redes sociais. Qual conselho/incentivo vocês poderiam passar a essas mulheres?

Mariana Zatz – Crie conteúdos que você gostaria de consumir. Se você sente orgulho do seu trabalho, divulgue sem medo (mas esteja pronta para críticas). Você certamente terá um público. O mundo precisa de mulheres com voz!

Adriana Cubas
Adriana Cubas
Coach profissional formada pela Academia Brasileira de Coaching (Abracoaching) e certificação internacional pelo Behavioral Coaching Institute (BCI). Formação em Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi com extensão em Gestão de Pessoas pela FGV. Consultora de educação corporativa, com atuação no desenvolvimento de trilhas, estratégia educacional, soluções de aprendizagem e treinamentos para grandes empresas. Criadora e produtora do Canal do Coaching no YouTube. Colunista e colaboradora dos projetos Mural do Coach, Las Abuelitas (Mulheres Artistas) e Blog Tiago e Gabi.

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