“Mata teu pai”, texto original de Grace Passô, inspirado no mito de Medéia, de 5 a 28 de maio, no Sesc Ipiranga.

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“Mata teu pai”, texto original de Grace Passô, inspirado no mito de Medéia, de 5 a 28 de maio, no Sesc Ipiranga.

Entre expatriados e imigrantes, a Medéia de Debora Lamm questiona valores atuais, como o feminismo e o preconceito.


“Mata teu pai”, de Grace Passô (vencedora dos Prêmios Shell RJ e Cesgranrio na categoria Melhor Texto da temporada 2016 por “Vaga Carne”), é uma livre adaptação do mito de Medéia e foi escrita especialmente para a atriz Debora Lamm, com direção de Inez Viana e direção de produção de Claudia Marques. Neste novo projeto da Cia OmondÉ, entre expatriados e imigrantes, Medéia questiona valores atuais, como o feminismo e o preconceito.

– “PRECISO QUE ME ESCUTEM!” diz Medéia em sua primeira fala na peça Mata teu pai, de Grace Passô. E ela, aliás, elas, têm muito a dizer sobre nossos dias, nossos tempos tristes, onde imperam o retrocesso e a intolerância. Medéia está em movimento, vive em meio a escombros da cidade onde agora está. Encontra mulheres: síria, cubana, paulista, judia, haitiana. Se vê na mesma condição de imigrante. Algumas tornam-se suas cúmplices, outras suas algozes. Percorre um caminho interior, onde decide que quem tem que morrer é Ele, que a desprezou e tirou seu direito de ser sua mulher. “Que direitos temos nós?” Ela tem consciência de seus direitos e luta por eles. Para além de um paralelo sobre o mito, Grace Passô recria a sua feiticeira, performatizada por Debora Lamm, e a insere nos dias de hoje, criando assim um debate sobre a condição da mulher atual. Também propõe uma mudança na história, inaugurando uma nova perspectiva e versão para o mito. “… Oxalá o mal não avance mais do que agora.” – explica a diretora Inez Viana.

A encenação se baseia no discurso de Medéia, onde o público tem papel fundamental. Junto com a atriz Debora Lamm, também estarão em cena alunas do curso Canto Coral para terceira idade, realizado no Sesc Ipiranga, que formam um coro, espécie de inconsciente de Medéia. Grasse Passô escreveu “Mata teu pai” especialmente para Debora Lamm.

– Medéia é uma protagonista feminina que desafia o amor romântico. Na tragédia ela ressignifica o sentimento quando na fuga com o ser amado, o que fará dela uma estrangeira, mata o próprio irmão e mais adiante mata seus próprios filhos com Jasão ao se ver traída por ele. A Medéia de “Mata teu pai” leva consigo o discurso e angústias do mundo atual. Dar voz a uma personagem milenar será sempre um desafio – comenta Debora Lamm que, além de “Mata teu pai”, segue 2017 como uma das protagonistas do humorístico “Zorra”, no elenco da peça “5x comédia” e em dois longa-metragens “Como é cruel viver assim”, roteiro de Fernando Ceylão com direção de Julia Rezende, e “Chocante”, roteiro de Bruno Mazzeo com direção de Jhonny Araújo.

Com uma ambientação simples, da cenógrafa Mina Quental, um campo minado se desenha no espaço, trazendo toda a sorte de lixo eletrônico, como caixas e mais caixas de carregadores de celular, baterias, teclados de computador, monitores, etc. A luz de Nadja Naira e Ana Luzia de Simoni revela formas, rostos, corpos, de forma transversal, criando contradições nas imagens, para que o espectador possa construir junto, se sentindo parte da história. A direção de movimento de Marcia Rubin recria, a partir do coro de senhoras, uma atmosfera onírica como se elas habitassem apenas o sonho de Medéia. A equipe de criação conta ainda com figurinos de Sol Azulay, caracterização de Josef Chasilew, direção musical de Felipe Storino e programação visual de Felipe Braga.


Sexto espetáculo da Cia OmondÉ, pela primeira vez em forma de monólogo, “Mata teu pai” estreou nacionalmente em janeiro de 2017 no Espaço Cultural Sérgio Porto, Zona Sul do Rio de Janeiro. Em abril faz apresentações nos dias 5 e 6, no Teatro Sesc da Esquina, como parte da programação oficial do Festival de Curitiba e nos dias 12 e 13 no Gamboavista, zona portuária do Rio. A primeira temporada na cidade de São Paulo acontece de 5 a 28 de maio, sexta e sábado às 21h e domingo às 18h, no Sesc Ipiranga.

A montagem de “Mata teu pai” celebra 20 anos de carreira da atriz Debora Lamm.
Uma breve trajetória da atriz Debora Lamm
 
Recentemente Debora Lamm concluiu as filmagens dos longas metragens “Como é cruel viver assim”, roteiro de Fernando Ceylão com direção de Julia Rezende (seu personagem ‘Regina’ é uma empregada doméstica de caráter duvidoso) e “Chocante”, roteiro de Bruno Mazzeo com direção de Jhonny Araújo (seu personagem ‘Quézia’ é presidente do Fã Clube de uma Boy Bands dos anos 80 que tenta resurgir com eles a todo custo), ambos serão lançados em 2017. Cria do O Tablado e com 11 indicações à prêmios de teatro como atriz e como diretora, tem 4 troféus no currículo. Participou de mais de 30 espetáculos dentre os mais recentes “5x Comédia” de Antônio Prata, Gregório Duvivier, Jo Bilac, Julia Spadaccini e Pedro Kosovski, “Fatal” de Jô Bilac, Pedro Kosovski e Marcia Zanelatto, “El Pânico” de Rafael Spregelburd, “Infância, Tiros e Plumas” de Jô Bilac, “Cock – Briga de Galo” de Mike Bartlett, “Maravilhoso” de Diogo Liberano, “O Médico e o Monstro” de Georg Osterman, “Os Mamutes” de Jô Bilac e as “Conchambranças de Quaderna de Ariano Suassuna. É integrante da Cia OmondÉ desde sua formação. No cinema foi protagonista do sucesso de bilheteria “Muita Calma Nessa Hora” e do premiado “Seja o Que Deus Quiser” de Murilo Sales. Durante 4 anos, ao lado de Bruno Mazzeo, atuou no primeiro programa de dramaturgia da TV a Cabo brasileira, o sucesso “Cilada”. Na TV Globo trabalhou com Mauricio Farias, Dennis Carvalho, Denise Saraceni, Gilberto Braga, Felipe Miguez, Isabel de Oliveira, Guel Arraes, entre outros, em séries e novelas como “Geração Brasil”, “Celebridade”, “Sabor da Paixão”, “Um Anjo Caiu do Céu”, “Junto e Misturado” e, atualmente, é uma das protagonistas do humorístico “Zorra”. Em 2017 Debora Lamm completa 20 anos de carreira.

Ficha técnica
 
Texto: Grace Passô
Direção: Inez Viana
Performance: Debora Lamm
Direção de Produção: Claudia Marques
Iluminação: Nadja Naira e Ana Luzia de Simoni
Cenário: Mina Quental
Figurino: Sol Azulay
Caracterização: Josef Chasilew
Direção Musical: Felipe Storino
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Programação Visual: Felipe Braga
Fotos e Vídeo de divulgação: Elisa Mendes
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Realização: Fábrica de Eventos
Um projeto da Cia OmondÉ

Serviço

“Mata teu pai”
Texto: Grace Passô
Direção: Inez Viana
Performance: Debora Lamm
Direção de Produção: Claudia Marques
Local: Sesc Ipiranga, Rua Bom Pastor, 822, telefone 3340-2000
Temporada: 5 a 28 de maio, sexta e sábado às 21h, domingo às 18h
R$30 (inteira), R$15 (meia-entrada) e R$9 (credencial plena)
Vendas pela internet: www.sescsp.org.br/ipiranga
Classificação 14 anos
60 minutos
Drama

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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