Entrevista – Shirley Higa – Produtora Musical

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Quando falamos de arte e de mulheres artistas, automaticamente pensamos na mulher que pratica a atividade cultural, que está ali na frente. Mas não! Por trás do artista existem os produtores, os técnicos, empresários, editores, etc. E essa cadeia produtiva também sofre com a ausência das mulheres e, consequentemente, com a desigualdade de gênero.

Pensando nisso, o LAS ABUELITAS entrevistou a Produtora Musical SHIRLEY HIGA.

banco de imagens pixabay

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A Shirley me passou tantas referências novas, que foi impossível não pesquisá-las antes e, principalmente, não dividir aqui com vocês.

No Site International Arts Manager encontrei dados bem interessantes sobre o papel da mulher na música:

  • Uma pesquisa realizada por Claire Ramtuhul mostrou que os nove maiores salários da música nos EUA são de homens, e apenas uma mulher entrou nesta lista Deborah Borda, presidente e CEO da LA Filarmônica.
  • Na Inglaterra Alison Balsom, trompetista, foi a primeira mulher britânica a ganhar como “artista do ano”, e é uma das poucas trompetistas mulher reconhecida pelo seu talento. Ah, ela ganhou neste século!
  • Na Índia, o diretor do Darbar Festival perguntou: Cadê as mulheres? E levantou a discussão da dificuldade da mulher trabalhar com artes na Índia. No caso da música, especificamente, as mulheres solteiras são desencorajadas, por conta das turnês, que as obrigariam a viajar com homens. No caso das mulheres casadas elas somente poderiam viajar com seus maridos.

É…pois é…

Ainda falando da música clássica, a OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, em 2012, trouxe algo que foi chamado pelos jornais como “novidade” e infelizmente de fato era: uma mulher iria reger a orquestra, a norte-americana Marin Alsop. Algo inédito na história de uma das maiores  orquestras do país. Em 2012, dos 107 músicos, apenas 30 eram mulheres. Nessa reportagem a regente diz, quando lhe solicitam um conselho para as mulheres:

“O mais importante é não desistir. Ser perseverante. Continuar tentando. E se não deixarem você entrar pela porta da frente, é só dar a volta e entrar pela janela”.

Outra referência que a Shirley trouxe foi a  inglesa Andrea Brown, diretora do “Morley Female conductors”, que oferece workshops para mulheres estudantes de música que querem ser regentes. O curso do programa diz “para encorajar mais mulheres a pegar o bastão e o pódio para conduzir”, ou seja REGER!

Poderíamos estender esse papo por muitas e muitas folhas, mas vou iniciar a entrevista com a Shirley Higa, produtora musical. A entrevista foi realizada por e-mail e tá bem bacana.

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Conta um pouco de você. Você sempre foi envolvida com a área artística?

Estudei violão clássico por mais de 10 anos, mas fui para a faculdade de Desenho Industrial enquanto parte dos meus amigos foram para a faculdade de música. Depois da faculdade cursei arte dramática e canto belting. Também sou produtora, cantora e atriz de dublagem, atividades que sempre fiz paralelamente à minha função de coordenadora de produto em uma empresa multinacional.

Como foi seu inicio na produção?

Na mesma semana em que me desliguei da empresa recebi o convite para ser a produtora de um duo de violões, o Duo Siqueira Lima. Eu já tinha experiência na área artística. Sempre dei suporte aos meus colegas músicos e atores  junto às atividades que eu exercia.

Você veio do mundo corporativo. Como usou essa experiência na produção?

Trato o artista como produto. As ações em marketing, comunicação, vendas, tecnologia, desenvolvimento de produto ou logística, por exemplo, são aplicáveis em qualquer área.

Já sentiu alguma dificuldade por ser mulher?

Não muito. Procuro filtrar com quem quero trabalhar o máximo que posso.

Que conselho você daria para uma mulher que quer trabalhar na área de produção musical?

O assédio por parte de alguns músicos é constante. Ainda há preconceito nesse mercado, assim como em qualquer área. Mas existe um mercado enorme e receptivo para quem tem visão empreendedora e mente aberta. Não há muito espaço para quem não aceita ou entende as regras da indústria musical, e vejo que está cada vez menor o espaço para quem não respeita as mulheres. É importante separar o músico profissional do amador. Talento já não basta, é necessário ter um gestor para a construção de uma carreira artística, e respeitar o trabalho sério independentemente do gênero já é um bom começo.

Como você organiza suas produções?

Atualmente divido as minhas funções com uma assistente. Nós atuamos na elaboração de projetos, tour booking, comunicação, planejamento e marketing. Uma vez por mês, faço uma reunião com os meus artistas para atualizar os planos de ação e manter a estratégia de carreira de cada um. Isso inclui pensar na carreira em longo prazo. Também presto consultoria para artistas de diversos segmentos. Busco valorizar e incentivar mais mulheres para o mercado.

Você acabou de voltar da feira internacional de música de Roterdam. O que viu por lá? Alguma tendência?

Sim, voltei da Classical:Next, a maior feira de música clássica do mundo. Grande parte das discussões estava relacionada às mudanças nos formatos das apresentações, no repertório e na comunicação em busca de novos públicos e inovação.

Sobre as questões que envolvem a desigualdade de gêneros na área musical, a Revista International Arts Manager criou uma edição especial com o artigo “As mulheres nas artes” para ser distribuída em Malmö Malmö/Copenhagen 2015 ISPA Congress e na Classical:Next 2015. E durante o evento, conheci a Andrea Brown, diretora do “Morley College Women Conductors”, um projeto maravilhoso que motiva e direciona jovens mulheres regentes para o mercado. Andrea Brown disse que depois de tantas discussões sobre o desequilíbrio entre os gêneros na profissão dentro da área musical, sentiu que a melhor maneira seria começar por meio da educação. Esse projeto ganhou o Prêmio Inovação durante a feira. Ou seja, a busca pela igualdade de gênero é discutida e refletida em todo o mundo.

E se você quiser conhecer um pouco mais do trabalho da Shirley Higa pode acessar o blog “Violão Clássico”.

Muito obrigada Shirley!

Priscilla Leal

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural.  Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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