Entrevista – Natália Gresenberg e Talita Bretas – Museu da Dança

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Entrevista – Natália Gresenberg e Talita Bretas – Museu da Dança

A entrevista de hoje para mim é muito especial!

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Sou amiga e fui colega de pós-graduação da Natália e da Talita. Quando comecei o LAS ABUELITAS, já tinha as duas em mente para uma entrevista, pois sou fã do trabalho delas e elas estão fazendo muito pela nossa dança.

Infelizmente – né, meninas? – essa entrevista foi feita por email, porque a vida anda muito corrida! E esse é o lado bom: o Museu da Dança tá crescendo a cada dia!

Com prazer apresento a Natália e a Talita, gestoras culturais de São Paulo, já com um breve currículo:

Talita Bretas é graduada em Dança com especialização em Produção Cultural pela Universidade Anhembi Morumbi/ São Paulo (2008). Fez intercâmbio para Santiago do Chile cursando Dança na Universidad de las Americas através da Rede Laureate de Universidades (2007). Professora e bailarina formada no Curso Técnico Bailarina para Corpo de Baile registrado pelo MEC (2002-2004). Atua desde 2006 como produtora cultural de diversos grupos e artistas da dança em São Paulo. É idealizadora e diretora executiva do Instituto Museu da Dança, uma organização social voltada para a preservação da memória da dança brasileira.

Natália Gresenberg é Gestora Cultural pós-graduada pelo SENAC, advogada formada pela PUC-SP e especialista em Direito Tributário pela mesma instituição, tendo trabalhado por mais de dez anos em empresas privadas de grande porte, coordenando projetos e atuando nas áreas consultiva e contenciosa. É idealizadora e diretora executiva do Instituto Museu da Dança, uma organização social voltada para a preservação da memória da dança brasileira.

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Como começou a parceria de vocês?

Nos conhecemos no curso de pós graduação em gestão cultural e notamos nosso interesse comum na dança, principalmente em políticas culturais relacionadas à área. Deste interesse comum surgiu a oportunidade de trabalharmos no projeto de digitalização do acervo de Célia Gouvêa e Maurice Vaneau e, quando tomamos contato com esse universo da memória, ficamos encantadas e entendemos que essa era a politica cultural que queríamos desenvolver: preservação da história da dança. Foi então que decidimos ampliar a experiência iniciada e tornar o universo da história da dança brasileira acessível a todos.

Como está o mercado da dança hoje no Brasil?

É complicado falar sobre todo o mercado da dança, já que há universos muito distintos como o popular e tradicional e a dança cênica. Mas, com relação à dança contemporânea, que temos maior proximidade, podemos dizer que tanto as cias. estáveis como as independentes tem bastante dependência dos mecanismos de financiamento público, sejam eles leis de incentivo ou editais de financiamento. Entretanto, com a crise atual e os altos cortes no orçamento da cultura, muitos cias tem tido que se reinventar e buscar fontes alternativas para manterem seus trabalhos.

É nítida também a carência de uma política cultural para o setor como um todo, existindo alguns editais públicos esparsos que não contemplam a pluralidade do que é a dança brasileira.

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Vocês podem falar como começou o Museu da Dança? Como foi a concepção e o financiamento do projeto?

Como dito antes, começou com o trabalho de digitalização e compartilhamento do acervo Gouvêa-Vaneau, pertencente aos artistas Célia Gouvêa e Maurice Vaneu. Nasceu então o embrião do MUD – Museu da Dança, com a ideia de criar um museu virtual que compartilhasse acervos pessoais de diversos artistas da dança brasileira de forma democrática e descentralizada.

Há pouco mais de um ano nasceu o MUD – Museu da Dança, uma organização cultural sem fins lucrativos dedicada à preservação da memória da dança por meio do compartilhamento virtual de acervos históricos de grandes artistas da dança brasileira.

O projeto de construção de parte do museu virtual e da primeira exposição virtual foi viabilizado pelo Edital Municipal Redes e Ruas e resultado pode ser visto em www.museudadanca.com.br.

O Museu da Dança vem como uma proposta de resgate e de difusão, qual a importância de projetos como esse no universo da dança? O que vocês tem notado?

Conhecer a história é fundamental para compreender o passado, valorizar e aprender com os mestres e planejar o futuro. Infelizmente a memória não é valorizada no Brasil como um todo e na cultura não é diferente.

A história da dança brasileira é relativamente recente e ainda temos a vantagem de ter vivos grandes mestres da dança que possuem muito ainda a oferecer. Portanto, é possível ainda preservar a memória antiga da história da dança e continuar este processo daqui em diante.

A receptividade da classe artística, acadêmica e do público em geral tem sido excelente! Na verdade, nos surpreendeu muito a grande quantidade de acessos ao portal e redes sociais em tão pouco tempo, o que denota a relevância desta iniciativa e, mais do que isso, a carência da memória no cenário cultural brasileiro.

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Quais os próximos projetos?

MUD já realizou diversos projetos financiados por editais públicos, dentre eles: “Em movimento – dança e acessibilidade” que ofereceu cursos e fórum com o tema da acessibilidade nas artes, além de espetáculos com audiodescrição; Exposição virtual “A dança no Espaço Urbano” acompanhada de oficinas de dança em praças wifi livre de telecentros da cidade de São Paulo; “Trajetória(s)” projeto de revisitação da carreira da artista cênica Mariana Muniz, com exposição fotográfica e virtual, workshops e a realização de reencontros entre a artista e profissionais influentes em sua carreira (em desenvolvimento), Exposição virtual sobre a artista Maria Duschenes (em desenvolvimento, previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2016),

Qual a referência de vocês em produção de dança?

No que diz respeito à produção na área de preservação da memória da dança, podemos citar os EUA, que investe em museus e conseguem reunir fundos de maneira criativa e colaborativa, e a França, onde há uma política cultural forte e atuante.

Quais os próximos passos do Museu?

Estamos desenvolvendo uma grade de cursos voltados para a análise da história da dança no Brasil, como parte da missão da instituição que é promover a difusão de um patrimônio imaterial tão relevante para o Brasil e possibilitar a propagação do conhecimento.

Ainda buscamos parceiros para patrocinar a segunda etapa do museu virtual que é o desenvolvimento do banco de dados para a pesquisa de acervo.

No mais, buscamos financiamento para o desenvolvimento de diversas exposições virtuais que são de suma importância para a preservação da história da dança brasileira.

Obrigada meninas! Merda para o Museu da Dança e o Las Abuelitas está aberto para vocês!

E se você quiser conhecer a primeira exposição virtual do MUD é só clicar aqui: www.museudadanca.com.br

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural.  Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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