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Entrevista – Erika Midori, Instituto Adus

O Instituto Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil tem como missão “atuar em parceria com solicitantes de refúgio, refugiados e pessoas em situação análoga ao refúgio para sua reintegração à sociedade, buscando sua valorização e inserção social, econômica e cultural”.

Dentro desse espírito, o Instituto, com a ajuda de voluntários, produz uma variedade de eventos. Fui a um bazar organizado pela Marysol Goes. A  Erika Omori, jornalista, coordenadora de comunicação do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado, colabora neste bazar.

erika

Nesse bazar, comi comida marroquina, bebi chá de rosas feito por mulheres sírias, vi mulheres africanas fazendo tranças e morri de vontade de fazer uma tatuagem de hena – só não fiz por conta de um temporal que me obrigou a sair mais cedo.

O bazar foi no dia das mulheres, portanto todas as atividades foram conduzidas por elas. Toda essa mistura de culturas fez com que me sentisse mais pertencente ao mundo. Naquele pedacinho de chão, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, eu pude conhecer mulheres da minha idade, mas com cores e vidas tão diferentes!

Foi impossível não procurar a Erika para ouvir mais, e compartilho, abaixo, o bate-papo que tivemos por e-mail:

Como você começou seu trabalho com as refugiadas?

Comecei meu voluntariado no Adus em 2013. Nunca havia trabalhado como voluntária. Entrei para atualizar o site que estava parado há dois anos. Aos poucos, fui conhecendo e entrando em contato com os beneficiários. Não trabalho exclusivamente com refugiadas. Atendemos a todos que nos procuram no Instituto, sejam eles homens ou mulheres.

Qual a importância de dar voz às refugiadas?

Sempre quando ouvimos falar em refúgio vem a imagem de um refugiado. Em entrevistas ou palestras, roda de conversas, geralmente, ou em quase 100% dos casos, apenas homens são convidados. Mas há muitas mulheres que precisam ser ouvidas. Vemos refugiados contando suas histórias, lutas, conquistas, dando entrevistas, mas é bom lembrar que ao lado deles há mulheres incríveis, cuidando de filhos, da casa, levando e buscando na escola, cozinhando para a família e para encomendas, e com muitas histórias, sonhos e anseios para contar. Elas querem mostrar sua cultura, força, opinião, seus talentos.
Muitas vieram sozinhas, ou apenas com os filhos, e precisam cuidar das crianças, além de trabalhar, já que não contam com a ajuda do marido ou familiares. Elas estão vulneráveis.

Fui ao bazar das mulheres refugiadas na Vila Madalena. Uma imagem me chamou a atenção: uma moça marroquina, casada com um homem sírio, que conheceu no Brasil, fazendo tranças africanas. Eu, particularmente, acho incrível esse encontro de mundos. Como você sente que as pessoas têm reagido a essa interculturalidade? Fora de São Paulo, você tem algum feedback?

Fora de SP não tenho feedback. A Basma é incrível! Acho lindo quando vejo misturas. O Brasil é assim. Somos miscigenados. A interculturalidade depende da pessoa. Há quem goste e também quem não curta.

Qual são os benefícios da interculturalidade na sua opinião?

Trocas. De cultura, pontos de vista, opiniões, sabores, olhares…

Qual a resposta que o público e as mulheres participantes dão ao bazar?

Quem vai gosta muito. É um bazar singular, já que oferecemos não apenas produtos para compra, mas comidas típicas, artesanato, arte de diferentes países. É uma experiência diferente e a oportunidade de conhecer um pouquinho de outras culturas, além de ajudar os participantes.

Algumas ficaram muito felizes. Uma delas agradeceu porque descobriu que pode trabalhar sozinha, sem depender de ninguém, e ainda reforçar a renda de casa.

 

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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