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Entrevista – Atriz Rose Germano

Neste mês conversamos com a atriz Rose Germano, que está em cartaz com o espetáculo “Frida Kahlo, deusa tehuana“, na cidade do Rio de Janeiro.

Atriz com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO e Cinema pela Universidade Estácio de Sá, Rose Germano sempre procurou aprofundar a sua arte e conduzi-la para um teatro de referências. Mergulhou no universo de Shakespeare, Brecht, Plauto, mas foi em “Frida Kahlo, a deusa tehuana” que a atriz encontrou o seu grande desafio.

Também, interpretar uma figura icônica como a artista plástica mexicana não é tarefa fácil, mas Rose vem colecionando elogios e casa cheia.

Rose Germano

Como foi o processo criativo para interpretar a artista Frida Kahlo?

Foi um processo intenso, árduo e prazeroso. Qual a atriz não gostaria de viver Frida Kahlo no Teatro? Eu e o diretor Luiz Antonio Rocha fizemos uma pesquisa profunda na obra e na vida da pintora, ficamos alguns meses construindo esta personagem tão “viva”, mesmo após 63 anos de sua morte. A nossa ida ao México foi determinante para que pudéssemos trazer para o palco uma Frida mais humana, para que pudéssemos sentir a magnitude, a beleza e a força desta mulher à frente de seu tempo.

Por que Frida?

É um presente do Luiz Antônio Rocha, já havia uma parceria como assistente de direção, ele é um diretor incrível, pedi para que me dirigisse, tempos depois ele teve um insight, “ A Rose faria uma Frida”, e então veio o convite.

Quais referências foram usadas?

As mulheres nordestinas tem muito das mulheres mexicanas, na força de sua cultura, de suas raízes e, como paraibana que sou, encontrei nas minhas origens pontos em comum a história de vida dessa mulher tão excepcional. Busquei também referências nas índias, nas mulheres que se destacam em suas lutas, que se reinventam, se redescobrem.

Muito se fala de Frida Kahlo. Pela sua pesquisa você acha que a retratam como artista e mulher à frente do seu tempo ou é mais explorada a sua imagem de mulher apaixonada e excêntrica?

As duas coisas persistem, mas a nossa Frida está longe de ser uma figura pop e excêntrica que os americanos idealizaram. Buscamos a mulher por trás do mito, a mulher que rompeu com os padrões sociais de sua época, sofreu todas as dores que podia sofrer mas que viveu intensamente a sua vida. Buscamos também relatos da marchand Dolores Olmedo Patiño, personagem que abre o monólogo, responsável por difundir toda a obra de Diego Rivera e de Frida Kahlo, figura visionária que poucos conhecem e que não podia ficar fora dessa dramaturgia.

Foto: Renato Mangolin

Como você vê a influência do movimento das mulheres no teatro?

O teatro é um espaço democrático e nele a mulher vem ocupando de forma crítica e positiva, levando para o público ressonâncias e discussões do seu papel na sociedade. O mundo mudou mas há um retrocesso assustador em relação aos pequenos avanços conquistados. Há um machismo impregnado no homem, a mulher continua sendo violentada, desrespeitada, seus direitos violados. Ainda temos muito o que lutar.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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