Estamos em crise.

Você deve estar pensando: Meu Deus, até nesse blog eu vou ler sobre isso?

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Calma! O assunto aqui é outro!

Tenho pensado muito em como estabelecer a vida profissional no mercado de cultura. Sim MERCADO!

Muitas vezes a gente fica horrorizada de ouvir essa palavra, afinal fazemos o nosso trabalho com amor e só queremos fazer o outro feliz com o que sabemos fazer, certo?

Então, até pode ser certo. Não tem certo e errado, mas a intenção deste texto é trazer outras alternativas para pensarmos essa questão.

Afinal, todo mundo precisa de dinheiro para viver e estamos sim em uma terrível crise econômica.

Qual o impacto disso na gente?

Na área cultural, desde 2014, escuto muitas reclamações: os editais diminuíram os valores concedidos; não pagamento aos contemplados; edições de editais que não foram publicadas; dificuldade em captar recursos para projetos aprovados e expectativa de extinção do MINC – Ministério da Cultura.

Assim essa crise influência e muito na nossa área cultural. Mas o que fazer? Desistir?

Não! Como a coaching Adriana Cubas cita no seu Canal do Coaching “toda crise tem a sua oportunidade”.

Você já parou para pensar que este pode ser o momento para você transformar a sua arte em negócio?

Não fique assustada! Não estou dizendo que você tem que abrir mão de tudo que acredita para cair em um mercado cujo único objetivo é faturar e aniquilar seus concorrentes. Aliás, essa ideia já está superada: hoje vivemos em um momento de parcerias.

Eu gosto muito do pensamento do Leonardo Brant, um empreendedor criativo que fundou o CEMEC (hoje Cultura e Mercado) e o site Empreendedores Criativos. Foram nesses canais que entrei em contato com um livro muito bacana chamado “A Estratégia do Oceano Azul – Como Criar Novos Mercados e Tornar a Concorrência Irrelevante“.

Em síntese, o livro mostra que você não precisa se esforçar para se destacar em um mercado já saturado e que briga, basicamente, pela mesma coisa. Você tem que encontrar um lugar desse mercado que ainda não foi explorado e navegar tranquilo no oceano azul.

No site que citei o Leonardo Brant traz os “7 passos do empreendedor criativo”.

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Essa crise, portanto, pode trazer esse novo olhar: como eu olho para o meu projeto cultural, para a minha atividade artística ou para o meu artesanato e vejo uma oportunidade de negócio?

Como você pode transformar sua atividade cultural em algo sustentável e que não dependa apenas de um tipo de financiamento?

Quando falamos em sustentabilidade, não nos referimos necessariamente ao meio ambiente e sim a um negócio que se alimenta dele mesmo. Quer dizer, como o seu projeto continua reverberando sem um edital público, por exemplo? Ou como você pode fazer ele perpetuar além de uma temporada ou uma exposição?

Já falamos disso aqui no blog quando trouxemos as possibilidades de financiamento. A ideia deste texto é incluir mais um pensamento a ele: o empreendedorismo.

Mas afinal o que é empreendedorismo?

Existem muitas definições para o termo. Eu gosto da definição do Professor Marcelo Nakagawa

“Empreendedor é a pessoa que pensa e age sobre oportunidades com criatividade e inovação para gerar valor individual e coletivo”

Então, o empreendedor ou empreendedora, ou seja, a pessoa que pratica o empreendedorismo, pode usar essas habilidades para abrir o próprio negócio ou utilizá-las no lugar onde desenvolve suas atividades profissionais.

Já surgiu o termo “Empreendedorismo cultural”. Eu, particularmente, neste primeiro post sobre o assunto, preferi falar no sentido genérico para ampliar as pesquisas sobre o tema.

Fala-se também de Economia Criativa, que já é conceituada pelo Sebrae como:

“Economia Criativa é um termo criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda.”

É disso que estamos falando aqui! E não se preocupe: na internet tem muito material para você alimentar sua criatividade e organiza-lá.

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Por exemplo, a Escola de Você, projeto das jornalistas Ana Paula Padrão e Natália Leite, traz um curso on line para mulheres que querem empreender. O Sebrae também tem um curso EAD sobre o assunto e a Rede Mulher Empreendedora promove cafés e encontros para discutir o tema. E por fim o site da Endeavor que traz muito conteúdo sobre o assunto e também eventos.

É verdade que pouco se fala do empreendedorismo cultural e da economia criativa nesses espaços, mas as lições dadas podem ser aplicadas em todas as áreas. Então, o ideal é ampliar nossa fonte de pesquisa!

Até aqui eu quis mostrar a importância e os instrumentos on line que temos a nossa disposição para pensarmos diferente e, diante dessa crise, solidificarmos nossa arte como um negócio para não ficarmos sempre a mercê de terceiros ou do Estado.

Por exemplo: Você já pensou em exportar seu trabalho? Conversando com a Produtora Musical Shirley Higa ela me disse que a dupla que ela assessora está fazendo muitos shows no exterior, mas pouquíssimos no Brasil.

Ou dentro do país mesmo, você já parou para pensar como está organizando o seu negócio? Tem atualizado sua comunicação? Pode fazer parcerias que vão ajudar a expandir seu mercado?

Essas perguntas podem nos enlouquecer! A boa notícia é, como já dito, que na internet temos muitas ferramentas para nos organizar.

Na escola de você entrei em contato com um case muito bacana, que compartilho aqui com vocês:

“Giovana é uma artista plástica muito talentosa. Está sempre envolvida em algum projeto, organizando exposições e fazendo quadros. Quando encontrei a Giovana ela me disse que estava sem dinheiro. Que precisou vender o carro, para pagar dívidas! Fiquei pensando: Como assim Giovana, você tá sempre trabalhando! Ela me explicou que tinham projetos que ela se dedicava meses, e que, quando acabava, não tinha uma fonte de renda imediata. Fiquei pensando em pessoas que são muito boas no que fazem, mas não conseguem se organizar financeiramente. Perguntei para a Giovana: e de tudo o que você faz o que te dá dinheiro? Você sabe qual é a margem de lucro de cada trabalho? Qual pode colocar o seu negócio para frente? Ela me respondeu: Ah Nati, vou fazendo o que surge!

Propus o seguinte: pegar papel e caneta e fazer uma lista de todos os produtos e serviços oferecidos por ela. Fizemos um exercício de escrever o que era necessário para que as coisas funcionassem. Ela escreveu de cabeça o que lembrou e se comprometeu a pesquisar para terminar a lista. Saímos dali com um bom começo do que vai ser a estratégia e o plano de negócio da Giovana.”  

A Giovana fez um bússola para ela! Organizou as ideias que estavam na cabeça para não ficar atirando para todos os lados. Com essa organização ela, inclusive, terá mais tempo para fazer o que gosta!

O Sebrae traz um modelo de plano de negócios, mas se você achar muito complexo, simplifique-o! O importante é você por no papel uma forma de se organizar e ai sim ir aprofundando tudo o que é necessário para executar sua atividade artística e ter renda com ela.

Eu, pessoalmente, acredito muito que é super possível e necessário fazermos o que acreditamos e sermos remunerados por isso. Até porque, exercer uma atividade artística é bastante dispendiosa: gastamos com livros, qualificação, referências, etc.

O objetivo deste texto é trazer essas questões que andam habitando a minha cabeça e dividir com vocês. Pretendo trazer mais informações e modelos de como podemos pensar e organizar nossa arte para, de fato, se quisermos, vivermos dela.

E, como sempre, o Las Abuelitas está aberto para você. Tem ideias, duvidas, coisas para compartilhar sobre o assunto? Manda pra gente!

Abraços, Priscilla Leal.

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

4 Comments

  1. Magna Santos disse:

    Olá, Priscilla! Adorei a matéria e estou curtindo muito esse blog. Eu passei por uma experiência sofrida no meu trabalho recentemente em virtude da violência que assola nossa sociedade nos dias atuais e estou repensando a minha vida. As matérias do blog me inspiram a enveredar pelo caminho do empreendedorismo cultural. Já fiz cursos na Escola de Você, citada na matéria. Por outro lado, escrevi um ebook narrando minhas vivências e minhas reflexões sobre minha trajetória até aqui. Percebo que aprenderei muito acompanhando esse blog. Seu texto é um grande estímulo!

    • Las Abuelitas disse:

      Magna muito obrigada pelo comentário! Seja bem vinda e vamos juntas nessa empreitada. Sugestões são sempre bem vindas. Um beijo, Priscilla

  2. Paulo disse:

    Gostei muito da abordagem do assunto.

    • Las Abuelitas disse:

      Obrigada Paulo! Continue nos acompanhando,vamor falar com mais frequencia de empreendedorismo cultural. Abraços e feliz ano novo!

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