Empoderamento feminino através do grafite

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Minas de Minas

O grafite é uma manifestação artística que tem relação com narrativas de determinado grupo, de modo a refletir o tempo e o espaço. Os muros são um local político, em que se pode ser retratado e questionado fatos e versões do cotidiano da população. As pinturas conseguem impactar pessoas de diferentes classes sociais, etnia, escolaridade, entre outros, uma vez que sua apropriação do espaço urbano faz com seja notada e absorvida diariamente. Sendo assim, o grafite acaba por se tornar um modo de protestar e reivindicar por melhorias sociais, culturais e econômicas, além de promover o empoderamento de minorias, principalmente de mulheres negras e periféricas.

O universo do grafite ainda é muito dominado pelos homens. No Brasil, por exemplo, os artistas mais conhecidos são Os Gêmeos e o Kobra. Porém, a atuação das mulheres tem sido cada vez mais frequentes, principalmente, através da criação de coletivos femininos, como a Crew de Belo Horizonte, Minas de Minas, formado pelas grafiteiras Carolina Jaued (Krol), Nayara Gessyca (Nica), Louise Libero (Musa) e Lidia Soares (Viber).

O Minas de Minas, fundada em 2012 já é uma das principais referências do grafite feminino em Minas Gerais. As quatro integrantes afirmam que ainda há certo preconceito por serem mulheres, porém, é mais visível em pessoas que não estão envolvidas com a arte, por isso, a união feminina é fundamental para garantir a segurança enquanto pintam. Para as integrantes, o grafite é uma forma de empoderar as mulheres, porém cada uma tem uma forma de retratar nos muros suas questões feministas, já que as vivências são diferencias.

NegaHamburguer

A grafiteira Negahamburguer utiliza do grafite para representar a mulher através do projeto Beleza Real, que busca promover a aceitação feminina além dos padrões impostos pela sociedade. A artista recebe histórias de diferentes meninas e pinta nos muros gordas, magras, negras, crespas, albinas, entre outras, com isso, a arte acaba por representar todas, sendo um modo de protestar e reivindicar por respeito e aceitação da sociedade e de si mesma.

A ocupação de ruas e muros por si já é um ato político, mas no caso das mulheres é algo ainda mais representativo, uma vez que através da arte é possível diminuir o estigma de que são frágeis, que devem ser “belas, recatadas e do lar” e de que esses espaços não são para elas. Empoderar através do grafite é uma forma de transmitir uma mensagem do tempo presente, de lutas atuais, já que a arte é de caráter efêmero devido a sua ocupação do espaço e suas abordagens.

Júlia Cunha
Mineira, jornalista, feminista e amante das mais diversas manifestações de artes no cotidiano. Viciada em café, séries de super-heróis e fascinada por grafite, principalmente feitos por mulheres.

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