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“Minha história começou aos 7 anos. Minha avó e minha mãe trabalhavam com algodão. Fazíamos nosso agasalho com algodão natural, mas eu via as pessoas com a roupa comprada da loja. Dizia para a minha mãe que eu queria uma roupa vermelha. Minha mãe dizia: então você vai fiar, tecer o seu pano e vai vender para comprar, com o seu dinheiro, sua roupa com o pano fino lá na loja. Realmente fiz, vendi e comprei. Comprei roupa e sapato vermelho também. Fiquei rica com a história, cumpri aquele sonho. Calçava o sapato vermelho sabendo que veio da minha roda de fiar. Cultivo esse serviço porque gosto. Aprendi desde pequena e levo para a vida inteira.”

Na história do tear do Brasil, Minas Gerais desponta como a região que mais absorveu a arte de tecer manualmente e desenvolveu características próprias, porém, conservou a tradição trazida pelos colonizadores portugueses.

A mobilização de Gercina e outras artesãs em criar a associação de artesanato começou em 2002. Elas resolveram se mobilizar para resgatar a produção do artesanato local e 11 anos depois são mais de 200 mulheres beneficiadas com a prática Associação das Artesãs Tecelagens das Veredas de Sagarana. As “fiandeiras”, como são conhecidas, comercializam suas obras em feiras.

Dona Gercina

Bazar Veredas – Foto: Ananda M

Após a consolidação do trabalho, a artesã relata que mudou até mesmo a saúde e as relações sociais. A felicidade é tanta que Gercina destaca que gosta de cantar durante o trabalho para relaxar, distrair e motivar as companheiras de trabalho. É o chamado canto das fiandeiras.

Entretanto, sobre o futuro, Gercina não mostra otimismo, pois, para ela hoje a tecnologia predomina, o que prejudica o trabalho do artesanato. Um exemplo são as filhas da artesã, que preferiram seguir outros caminhos ao invés de continuarem com o ofício da mãe.

Há uma passagem na história em que a Rainha D. Maria I, de Portugal, em 1785, mandou destruir e queimar as fiações e teares que começavam a disseminar no Brasil. Nesse período, a Inglaterra e a Nova Inglaterra (atualmente Estados Unidos) monopolizam as fiações e teares, fomentando uma revolução industrial e tecnológica, culminando na criação do sociedade capitalista, no desenvolvimento da classe operária e na criação do Estado democrático moderno. Com a queima dos teares, o Brasil ficaria à margem da história preservando a escravidão por mais 100 anos e mantendo o País no atraso.

Esse material foi recebido da Central Veredas de Artesanato “organizada em Rede Solidária compreende 9 núcleos de produção instalados nos municípios de Arinos,  Bonfinópolis, Buritis, Natalândia, Riachinho, Sagarana/Arinos, Serra  das Araras/Chapada Gaúcha, Uruana de Minas e Urucuia. Com a  participação solidária de artesãos, constituiu parcerias para  consolidar a sua estrutura e fortalecer os núcleos, garantindo-lhes  acesso ao mercado, qualificação, aplicação de preços justos, divulgação dos produtos artesanais, fruto do trabalho de aproximadamente 207 associados, exercendo sua defesa socioeconômica e ambiental combatendo os trabalhos escravo e infantil e promovendo a igualdade de gênero”.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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