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Participar da Marcha das Vadias foi um dos momentos mais bonitos que vivenciei esse ano. Não sei se palavras comportam a força, a emoção, as lágrimas. Fui fotografar, filmar, registrar esse dia. Foi poético, estético, sensorial, sofrido e belo. Foi político. Foi essencial estar presente e vivenciar esse dia.

Na Marcha das Vadias, gritos são uníssonos. Elas diziam: “Quando eu acordei, tinha 33 homens em cima de mim.” Negras, brancas, pintadas, coloridas. Jovens, idosas. Mulheres cis, transfeministas. Meninas, crianças. De mãos dadas, caminhavam sem medo. Eram muitas vozes, muitos corpos. Todas juntas. Vestidas, pintadas, mascaradas, seios nus, símbolos, palavras de ordem. Por liberdade. Segurança. Por nossas vidas. Pelo direito de igualdade salarial. Por representação política. Pelo direito de parir – e pelo direito de não ter filhos. De escolher. Contra todo tipo de misoginia, chauvinismo, machismo, sexismo, transfobia, lesbofobia, racismo, gordofobia. Contra a cultura do estupro. Contra toda forma de violência. Não há um único pensamento: a pluralidade de feminismo(s) incita movimentos, novas idéias, debates. Ainda que existam contradições sociais, teóricas e práticas. Ainda que a temida raiva seja sintoma de uma situação incabível de opressão. Há feminismos. E eles existem, diversos, por que são urgentes. Acredito no diálogo. Acredito que o diálogo seja, por essência, a troca necessária para as transformações que buscamos.

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Na Marcha das Vadias, gritos são uníssonos. Em Luta. Constante e abrangente. Contra todo retrocesso. Na politica. Na saúde e justiça reprodutivas. Pela manutenção das já conquistadas políticas públicas a nosso favor e pela criação de novas. Por representatividade no congresso. Por um ministério que nos defenda e represente. Por termos mais poder de decisão acerca de nossos corpos. Que eles não estejam ligados a imposições religiosas. Nenhuma vitória é constante, nenhum direito o é. Liberdade é como a utopia. E é preciso caminhar nessa direção, já diziam. Ainda que pareça que nunca se chega. Continuar. Seguir. Cada geração. Sem descanso. Conversando. Gritando. Agindo.

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Sou mulher, mãe. Feminista. Sou branca, classe média, curso superior, filha de intelectuais politizados; cheia de privilégios. Tenho consciência de cada um deles. Por isso mesmo, para mim, é fundamental estar presente e ouvir. Fui lá para isso. Chorei. Sorri. Gritei. Aprendi. Chorei muito. Por todas nós. Cheguei em casa rouca, cansada. Emocionei-me novamente ao ver as imagens. Mas com a esperança, que teima, pulsando. Apesar de tudo. Esperança renascendo em mim. Por que elas estão fortes. As meninas de hoje, a mulheres de hoje estão vivas. E gritam.

Feminismo é revolução.

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Marcha das Vadias, Recife 2016.

Bárbara Cunha – Produtora Cultural, Fotógrafa e Sócia da 99 Produções, empresa voltada para a Produção Audiovisual.

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