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Diferentes, mas juntas, e mais fortes!

Ellen DeGeneres, apresentadora de um dos principais talk shows americanos. Cynthia Nixon, atriz que interpretou a ruiva Miranda no famoso seriado Sex and The City. Billie Jean King, ex-tenista profissional que nos anos 1970 foi consagrada uma das melhores atletas femininas de todos os tempos. Jillian Michaels, personal trainer reconhecida mundialmente devido à sua participação no reality show “The Biggest Loser”. Chely Wright, cantora e compositora de música country que vendeu mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos.

O que essas cinco mulheres americanas têm em comum? Sim, todas são bem-sucedidas, ícones de seu segmento, mulheres artistas de destaque. E, além disso, todas são lésbicas. Não lésbicas do tipo “parece lésbica”, ou “finge não ser lésbica, mas é”, ou “dizem que é, mas nunca foi vista com uma mulher”. São mulheres que são (ou foram) casadas com outras mulheres, que tiveram filhos, constituíram família, abertamente assumiram sua homossexualidade e exigiram seu direito de serem quem são. E aí é que está, para mim, o maior destaque dessas mulheres: elas se expuseram como lésbicas assumidas e não deixaram de ter o seu trabalho, a sua arte, reconhecidos por causa disso.

Eu, quando me assumi lésbica, aos 31 anos, com um filho pequeno, um ex-marido e uma carreira ainda em ascensão, lembro-me de me perguntar: “por que existem tão poucas mulheres lésbicas famosas no Brasil?”. Hoje, quatro anos depois, casada com uma linda mulher e muito mais bem informada sobre o assunto, sei que na verdade há lésbicas famosas em quase todos os ramos das artes no nosso país. Mas há uma diferença entre elas e suas “colegas” americanas: as brasileiras ainda têm essa dificuldade de assumir sua homossexualidade publicamente, de comprar a “briga”, de casar de véu e grinalda, de ter filhos. Há exceções? Claro! E graças a Deus pela saudosa e revolucionária Cássia Eller, pela desde o começo assumida Maria Gadú e pela recentemente descoberta Daniela Mercury. Dessas, tivemos e temos fotos de beijo, de filhos felizes, do casamento com vestidoS de noivaS. Mas ainda é raro, ainda são minoria as que se expõem nesse nível.

E não que eu ache que seja PRECISO fazer isso, que toda mulher lésbica DEVA se assumir publicamente. Mas se há uma coisa que as mulheres fazem bem é se espelharem umas nas outras. Que o digam os movimentos feministas e tantos outros conceitos passados de mulher para mulher, de geração em geração. E se a possibilidade de ter um relacionamento com outra mulher sem que isso tire nenhuma oportunidade de sua carreira, nenhuma de suas estrelinhas de destaque como profissional, nenhum brilho de sua arte, fosse uma dessas coisas que nascemos sabendo e vendo acontecer com as mulheres? Será que não seria mais fácil para as meninas que se descobrem gays? Será que não seria menor o preconceito entre as próprias mulheres com suas amigas lésbicas? Será que não haveria menos casamentos hétero de fachada, só para preservar a vida profissional?

A prova de que estamos longe disso é que, quando uma lésbica famosa resolve se expor, as críticas ainda são muitas. Poucas semanas atrás, por exemplo, Fernanda Gentil, uma das mais reconhecidas jornalistas esportivas do Brasil, mostrou coragem e assumiu publicamente seu namoro com uma mulher. Recebeu em troca uma chuva de críticas nas suas redes sociais, muitas vindas, acredite, de mulheres, e muitas questionando, acredite, sua credibilidade como repórter!! E o que isso pode ter a ver com o seu trabalho? – eu fico me perguntando…

Demorei um tempo para de fato aceitar o convite da Priscilla Leal para escrever para o Las Abuelitas com o foco em mulheres artistas lésbicas. Mas, por todo esse cenário que descrevi aqui, resolvi que era hora de entrar de cabeça na pesquisa sobre o assunto para trazer, todo mês, alguma história bacana e inspiradora protagonizada por mulheres gays. Porque realmente ainda são poucas as referências nesse sentido e, como mulher, acho que é importante darmos visibilidade a TODAS as mulheres. Certo?

Portanto, aqui vamos nós, e espero contar com a sua ajuda! Se você gostaria de saber mais sobre alguma artista lésbica que conheça ou tem um nome para indicar, vou adorar receber sugestões. Se você é artista e lésbica, vou adorar conhecer a sua história. Se você é heterossexual e defensora de todas as mulheres, vou adorar tê-la como leitora. Porque, ainda que com orientações sexuais diferentes, é como sempre diz a Pri, “juntas somos mais fortes!”. 😉

Julie Anne Caldas
Julie Anne Caldas
Jornalista por formação, passei por redações dos mais diversos temas. Escrevi para revistas de gastronomia e política, redigi para publicações de saúde e de economia, trabalhei na TV como repórter de variedade e no rádio como repórter esportiva. Depois, enveredei para o lado das letras, dedicando-me à edição e revisão de textos. Hoje sou proprietária da TopTexto (www.toptexto.com.br), empresa que faz a revisão de todos os textos aqui do Las Abuelitas. Amante das letras, da comunicação e, principalmente de pessoas, adoro escrever sobre quase tudo, especialmente se der para polemizar. E foi o que a Pri me convidou para fazer aqui: todos os meses, trazer o tema da homossexualidade feminina expressa no mundo das artes.

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