Depoimentos – Mãe e Artista

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Depoimentos – Mãe e Artista

Duas artistas falaram para gente o que é ser mãe e artista!

atriz Julia Bertolini

atriz Julia Bertolini

Julia Bertolini – atriz

“Quando eu era criança sabia exatamente o que queria ser, brincava de outras profissões, mas dentro de mim a vontade de ser atriz era muito maior do que qualquer outra coisa. Não fui uma menina que gostava de brincar de casinha, não pensava em ser mãe, na minha ingenuidade achava que uma atriz jamais poderia ser mãe, ela não teria tempo, afinal, tantas viagens, como ficaria longe de seu filho\a? Tudo mudou quando virei mãe acidentalmente, mas que foi a melhor coisa que me aconteceu até hoje. A maternidade me transformou em um ser humano melhor, mais sensível. Mas não gosto de romantizar, porque ser mãe não é nada fácil, é dolorido, é cansativo. As mulheres costumam mentir sobre a maternidade por puro medo de serem julgadas, a sociedade nos massacra, temos que ser perfeitas. Esquecem que somos mulheres antes de ser mãe. Antes da maternidade achava que não conseguiria viver sem a arte, sem expressar o que sinto. Quantas vezes chorei e ainda choro por não conseguir trabalhar com o que mais amo, afinal, não é nada fácil ser mãe e ser atriz. Muita gente acha que é só colocar o filho debaixo dos braços e cair no mundo…Não, definitivamente não funciona assim, principalmente quando somos artistas independentes. Como escrever um projeto se mal consigo ir ao banheiro? Hoje não posso me dar o luxo de trabalhar como autônoma, preciso de carteira assinada, porque preciso sustentar uma criança. No meu caso sendo mãe solteira, a coisa piora. Morro de saudades de entrar no palco, de sentir aquela adrenalina, de pesquisar um tema para o processo ser incrível. A relação que tive com o teatro, assim que engravidei foi confusa, cheguei a pensar que ele não me escolheu e que fui teimosa até hoje. Pensei em enterrar esse sonho, afinal, não estava tão bem na profissão mesmo. Foi então que decidi respirar sem a arte, foi bom de uma certa forma, desacelerei, busquei outras alternativas, como dar aulas de teatro. Nessa descoberta encontrei uma forma incrível de criar, de me emocionar ao ver meus alunos crescendo cada dia mais, vidas se transformando através de um simples espetáculo. Foi então que percebi que não adianta fugir de um sonho, mas ele pode ser transformado. Não consigo imaginar outra forma de interpretar sem o uso da verdade. Sem sentir as palavras…Sem entender exatamente o que o personagem diz. Sempre fui uma atriz visceral, e parece que agora sendo mãe essa verdade ficou ainda mais estampada. Esses dias fiz uma performance sobre a maternidade, um pouco de tudo que passei, principalmente com a amamentação que foi algo muito mais dolorido que o parto normal. Foi tão intenso pra mim, pude expressar através do corpo o que muitas mulheres passam todos os dias. A dor da amamentação vai além da dor física, ela afeta a alma, mas é algo que quando temos determinação, o que vem depois é delicioso, o amor puro, o amo incondicional, sou uma mãe mamífera, optei pela criação com apego, não poderia ser diferente. Esse tipo de criação é desafiadora, sou julgada muitas vezes porque as pessoas acham um absurdo pegar o bebê no colo toda vez que ele chora, mas foi a forma que encontrei de criar, de me conectar com ele. Gostaria de escrever mais, poetizar, refletir, questionar, mas preciso dormir. Sou uma atriz intensa, não poderia ser diferente como mãe.”.

Paloma Escarabote – fotógrafa

Paloma Escarabote-fotógrafa

Paloma Escarabote-fotógrafa

“Sempre me considerei uma artista desde à adolescência, fiz curso de pintura em tecido, pintura em tela, crochê, tricô, desenho de modelo vivo, dei aula de artes cênicas fiz computação gráfica, participava de vários projetos escolares.

Hoje tenho 26 anos, casada e mãe de duas meninas lindas a Lívia de 5 e a Elis de 3 anos que são as inspirações para as minhas produções, sou fotógrafa e formada em Gestão Comercial. Quando elas nasceram eu estava trabalhando em uma empresa na área comercial e me dividia entre o trabalho e a família, mas hoje sou fotógrafa e me dedico todos os dias para crescer profissionalmente e estar com a minha família.

Nós somos muito unidos e no meu trabalho com a fotografia elas estão sempre presente ajudando e aprendendo também, meu marido é músico e nós fazemos tudo junto, quando ele vai se apresentar fico com elas e vice e versa.

Nosso dia a dia é corrido, levamos elas pra escola de manhã e voltamos para casa onde trabalhamos. Eu edito as fotos, faço alguns trabalhos manuais sempre com a fotografia, vou visitar alguns clientes entre outras coisas relacionadas a área e ele dá aulas de música, ensaio e estuda também, quando elas chegam da escola dividimos as tarefas de casa rsrsrs não vejo dificuldades em seguir uma carreira artística com filhos, depois elas crescem e poder ter está oportunidade de trabalhar com a presença delas acho o máximo, por que o vinculo afetivo é maior a troca de experiência, fica mais amorosa e ficar com os filhos por mais tempo não tem preço.

E as meninas já pensam no que querem ser quando crescer uma quer ser bailarina e a outra doutora rsrsrs me divirto e apoio.”.

Contatos Paloma:

www.facebook.com/palomaescarabotefotografa

Www.palomaescarabotefotografa.wordpress.com

 www.instagram.com/palomaescarabote

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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