Com direção de Ana Rosa Tezza, peça fala sobre refugiados e busca inspiração em rituais budistas

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Com direção de Ana Rosa Tezza, peça fala sobre refugiados e busca inspiração em rituais budistas

Depois de estrear no Festival de Curitiba de 2016 e se apresentar durante um mês na capital Chilena, o espetáculo NUON chega a São Paulo e cumpre temporada no Sesc Belenzinho a partir de 4 de maio. Com direção e dramaturgia assinada por Ana Rosa Tezza, a montagem da Ave Lola Trupe de Teatro retrata impactos do regime cruel do Khmer Vermelho, na década de 70, no Camboja. A peça ganhou 6 prêmios no 36º Troféu Gralha Azul.

NUON acontece durante uma celebração em que, no mundo budista, os ancestrais são homenageados. Em uma única noite, os personagens que viveram sob o regime cruel de Khmer Vermelho, revisitam sua terra e suas memórias. A história gira em torno da personagem inspirada em Phaly Nuon, cambojana que se dedicou a salvar mulheres dos seus traumas físicos e emocionais causados pela tortura e fome dos campos de trabalhos.

Beleza x Dor

Apesar do tema pesado, Ana Rosa criou um espetáculo em que a estética busca poesia. “Pensamos muito antes de montar um trabalho com esse tema. O mundo vive momentos complicados há algum tempo. O noticiário está repleto de intolerância, histórias pesadas e a iminência de uma guerra é, a cada dia, algo mais latente. Por isso, quisemos somar e trazer uma peça que, apesar de falar sobre violência, o faz de maneira transposta, dando espaço para uma reflexão sobre a crueldade e a barbárie sem abandonar o belo. O teatro tem essa capacidade de trazer essa reflexão de forma única, com poesia e delicadeza, mas sem minimizar a relevância histórica dos fatos”, explica.

A poesia começa pelo visual da peça. Os rostos dos atores ganham pinturas que se assemelham a máscaras, recurso que Ana Rosa Tezza costuma usar com grande frequência em seus trabalhos. A trupe fez uma extensa pesquisa também sobre a estética tradicional do Camboja, que, segundo Ana, pode até causar certo estranhamento à primeira vista. “Tivemos que nos despojar de conceitos estéticos às quais estamos acostumados”, detalha Ana.

A encenação cria uma tensão entre beleza e dor, narrativa e ação, criando assim uma dramaturgia que em muitos momentos privilegia o silêncio e a ação física como recurso principal.

foto Maringas Maciel – NUON

Sobre o Khmer Vermelho
O regime aconteceu entre 1975 e 1979 e suas práticas são reconhecidas internacionalmente como assassinato em massa. Cerca de 2 milhões de pessoas – 25% da população do Camboja na época – foram executadas. Os principais líderes do regime foram Pol Pot, Nuon Chea, Ieng Sary, Son Sen e Khieu Samphan. Além de mortes, o Khmer Vermelho foi responsável por horrores praticados em campos de trabalhos forçados, como tortura, separação de famílias e muita fome.

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO
Gênero: Drama
Direção, dramaturgia e texto: Ana Rosa Tezza
Elenco: Evandro Santiago, Helena Tezza, Janine de Campos, Marcelo Rodrigues e Regina Bastos
Música: Mateus Ferrari
Músicos: Mateus Ferrari e Breno Monte Serrat
Plástica do personagem e máscaras: Maria Adélia
Iluminação: Beto Bruel e Rodrigo Ziolkowski
Figurino: Eduardo Giacomini
Cenário: Fernando Marés
Produção: Laura Tezza e Larissa Mayra
Contra Regra: Mozart Machado
Criação do espetáculo: Ave Lola Trupe de Teatro
Realização: Ave Lola e as Meninas Produções Artísticas
Produção Local: Martina Gallarza (Roda de Criação)
Assistentes de Produção Local: Catharina Negraes e Laura Severo
Assessoria de Imprensa em São Paulo: Vanessa Fontes
NUON – Estreia em 4 de maio, quinta-feira, às 21h30, na Sala de Espetáculos 1 do Sesc Belenzinho. Até 28 de maio.

SESC BELENZINHO – Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho (próximo à estação Belém do metrô). Telefone: (11) 2076-9700. Acesso para deficientes físicos. Estacionamento: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 2,50 por hora adicional e R$ 4,50 a primeira hora e R$ 1,50 por hora adicional (credencial plena).

Assessoria de Imprensa: Vanessa Fontes

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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