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Ayaan Hirsi Ali – a autora que deveriam ensinar nas escolas

A escritora e ativista feminista Ayaan Hirsi Ali consegue reunir em seus livros três temas bem atuais e de extrema relevância: feminismo, refugiados e islamismo. É uma escritora polêmica, que se libertou das amarras não só de um governo violento, como também da própria cultura na qual foi criada para fortalecer as vozes de mulheres do mundo todo que buscam e lutam para que seus direitos sejam respeitados e que suas vidas tenham o valor que merecem ter. Ayaan nasceu na Somália e, por questões políticas do pai, a família se refugiou na Arábia Saudita, na Etiópia e no Quênia. Essa experiência de ter vivido em diversos países foi a oportunidade que ela teve de observar e aprender sobre a vida de mulheres em diferentes regiões e com religiões distintas também. Hoje a autora vive nos Estados Unidos e foi considerada, pela revista Times, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Dois livros merecem destaque:

Em “Infiel”, a autora descreve sua própria história com os dramas e superações pelos quais passou desde muito cedo: aos cinco anos sofreu a excisão do clitóris, aos 22 anos se refugiou na Holanda para fugir de um casamento arranjado. Neste livro, Ayaan conta também o episódio em que seu parceiro na produção do documentário “Submissão – parte I”, Theo Van Gogh, foi baleado e decapitado. O assassino ainda deixou um recado endereçado à autora, dizendo que ela seria a próxima. O documentário relata a repressão sofrida pelas mulheres no Islã.

Há a mulher açoitada por ter cometido adultério; outra entregue em matrimônio a um homem que ela detesta; outra espancada regularmente pelo marido; e outra que o pai repudia ao saber que o irmão dela a estuprou. Os perpetradores justificam cada abuso em nome de Deus, citando os versículos do Alcorão agora escritos no corpo dessas mulheres. Elas representam centenas de milhares de muçulmanas em todo o mundo.”

­­– Trecho de “Infiel”

Die in Somalia geborene Islamkritikerin Ayaan Hirsi Ali stellt am Sonntag, 1. Oktober 2006 in Berlin waehrend einer Fernsehaufzeichnung ihre Autobiographie 'Mein Leben, meine Freiheit' vor. (AP Photo/Herbert Knosowski)---Somali-born critic of fundamentalist Islam Ayaan Hirsi Ali promotes her biography ' My Life, my freedom' during a television show in Berlin on Sunday, Oct. 1, 2006. Former Dutch lawmaker Hirsi Ali recently resigned from her post and moved to a conservative think tank in the United States. (AP Photo/Herbert Knosowski)

A virgem na jaula – um apelo à razão” é um compilado de textos que mostram a visão crítica que Ayaan tem sobre os abusos que são cometidos pelos países do Islã. O importante escritor indiano Salman Rushdie descreveu assim a obra: “Este livro é imensamente importante, veemente, desafiador e necessário. Deve ser lido pelo maior número de pessoas possível, pois diz a verdade – a verdade crua e desconfortável”. Foi preciso muita coragem para a autora levantar a bandeira do feminismo e se rebelar contra a própria cultura na qual foi criada, e por isso ela foi considerada “persona non grata” entre os muçulmanos. Ali escreve histórias para que as mulheres comecem a se questionar sobre o que as mantém aprisionadas em um sistema que se utiliza da religião para fazer das mulheres seres inferiores.

Espero poder contribuir, com meu conhecimento e experiência da fé islâmica, para o fim do tratamento degradante dispensado às mulheres e meninas muçulmanas. Creio apaixonadamente na universalidade dos direitos humanos. Como membro do conselho diretor da Anistia Internacional, aflijo-me ao ver a ampla maioria das muçulmanas ainda aprisionada pela doutrina da virgindade, a qual exige que as mulheres se casem puras e imaculadas: experiências amorosas e sexuais antes do casamento constituem um tabu absoluto. Tabu esse que não se aplica aos homens. Além disso, homens e mulheres não têm, de modo algum, os mesmos direitos e oportunidades no contexto de sua cultura muçulmana específica. Muitas mulheres não têm a menor chance de organizar a própria vida com independência ou da maneira que lhes pareça adequada.”

Trecho de “ A virgem na jaula – um apelo à razão”

Apesar dos livros indicados não serem uma leitura fácil e de possuírem assuntos bem complexos, é importante e essencial uma leitura atenta e reflexiva. Importante porque os conhecimentos da luta de mulheres como Ayaan lançam luz ao feminismo e deixam claro que essa causa não pode ser abandonada ou desmerecida. Essencial porque nos leva a analisar que toda forma de cultura que subjuga, oprimi, escraviza e retira direitos pode e deve ser questionada. A cultura jamais pode ser uma justificativa plausível para a negação dos direitos que as mulheres têm sobre suas próprias vontades e sobre suas vidas.

Juliana Lacerda
Juliana Lacerda
Estudante da área de tecnologia, superando a crise dos 30 e sempre correndo atrás dos sonhos. Apaixonada por livros, músicas, filmes, viagens e sensações. Acho que a vida vale muito mais a pena quando conseguimos seguir todas as direções que nosso coração aponta. É editora do site www.sembussola.com.br

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