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Vanja Orico

Vanja Orico

Vanja Orico foi uma artista múltipla: cantora, atriz e cineasta brasileira. Ganhou projeção no cinema durante o chamado “Ciclo do Cangaço”, movimento entre as décadas de 1950 e 1970 que buscava retratar a realidade social e política do nordeste brasileiro.

Apareceu como atriz, descoberta pelos cineastas Alberto Lattuada e Federico Fellini no ano de 1952, quando atuava em Roma no show chamado Macumba, patrocinado pela RAI (Rádio e TV Italiana).

Atuou em diversos filmes nacionais e estrangeiros, entre os quais “Mulheres e luzes” – dirigido por ambos, quando cantou o tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”; “Lampião, O rei do cangaço” – de Carlos Coimbra, no qual dividiu o papel principal com Leonardo Vilar; “O cangaceiro” – de Lima Barreto, de 1953, com o qual ganhou o Prêmio de Melhor Filme de Aventura no Festival de Cannes daquele ano e “Yalis – A flor das selvas”, de Robertis.

Como cineasta escreveu e dirigiu o filme “O segredo da Rosa”, 1973, em plena ditadura militar.

Aliás, a artista teve uma atuação importante nesse período histórico do Brasil. Vanja Orico participou de protestos contra a morte do estudante Edson Luís e foi presa ao ajoelhar-se diante de um carro do Exército e dizer “Não atirem, somos todos brasileiros”.

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Era filha do diplomata e escritor paraense Oswaldo Orico e estudou em Roma, em um colégio de freiras. Em 2010 foi dirigida pelo seu único filho Adolfo Rosenthal, no telefilme “As mãos de meu filho”, e em 2013 em “O Crime e o Burguês”.

Vanja era considerada uma artista do povo. Jorge Amado escreveu sobre ela

 Vanja Orico, cantora, artista, cineasta, atuante figura cultural brasileira, presença que se impõe à admiração de todos que amam a arte, a literatura e a democracia.

A artista também se destacou como cantora. Fez turnês pela Ex-União Soviética, Estados Unidos e Europa. Sua primeira composição, “Confissão”, foi arranjada pelo, então iniciante, Antônio Carlos Jobim ou se preferir Tom Jobim.

A exemplo da cantora argentina Mercedes Sosa, que defendia a música do folclore do seu país, Vanja defendia a música brasileira não comercial.

Em 1957, Heitor Villa-Lobos, de Paris, escreveu sobre ela:

Os cinco rivais da moreninha, bem brasileira, Vanja Orico: o canário – que aprende com os mestres; o coleiro – que canta nas alvoradas; a araponga – que imita os ferreiros do sertão; o sabiá – que sonoriza as florestas do Brasil e o tico-tico – que espalha fubá…

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Por aí podemos ver a importância dessa artista. Infelizmente, Vanja Orico faleceu em 29 de janeiro de 2015, aos 85 anos, no Rio de Janeiro.

Existe dois documentários sobre a Vanja “Vanja- mulher rendeira”, direção Juliana Major e “Vanja Vai Vanja Vem”, direção de Adolfo Rosenthal e Luiz Carlos Prestes Filho.

Até a próxima!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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