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Artistas que você TEM que conhecer: Tatiana Bueno – Nossa Companhia

Nesta semana recebi dois releases de mulheres artistas que estão fazendo coisas lindas nos palcos paulista e carioca. Vou postar hoje o release da ‘Nossa Companhia” que estreiou dia 12 de fevereiro a peça “Quase uma Adaptação”, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, com direção de Tatiana Bueno.

Espetáculo Quase uma Adaptação

Espetáculo Quase uma Adaptação

Troquei uma ideia coma diretora do espetáculo e foi muito bacana. Me identifiquei com a Tatiana e isso me inspirou mais ainda a promover este espaço: precisamos nos ver na outra também e pensar “opa, não estou sozinha!”.

Segue o depoimento que a Tatiana me mandou via email:

Entrei no teatro adolescente, era muito tímida e ainda sou, mas era mais ainda, acho que o teatro ajudou. De lá pra cá muitos anos de telemarketing ou carregando bandeja, a profissão não é fácil, minha mãe já dizia e repito para quem quer ingressar no mundo das artes: é preciso estudar muito e ter um plano B. Mas quando o teatro chama não tem jeito, enfrentamos tudo e todos e continuamos. Comecei como atriz, e logo a produção se fez necessária, para atuar é preciso produzir. 
O teatro independente no Brasil ainda é muito dependente das leis de fomento, que não são suficientes para fomentar a todos. Hoje tenho uma pesquisa pessoal sobre a sustentabilidade da cultura, e como o Teatro independente pode sobreviver quando não ganha nenhum edital. São muitas perguntas sem respostas, mas na Nossa Companhia, a gente está tentando descobrir como isso é possível. 
No teatro a gente tem que ser multitarefa, e foi assim que me encantei com a iluminação. Já tem mais de 10 anos que faço iluminação e foi aí que me deparei com o machismo escancarado. Viajando com peças, 100% dos técnicos dos teatro eram homens e parecia que era inaceitável para eles ter uma mulher fazendo esse “tipo de coisa”. Temos grandes iluminadoras, como a Cibele Forjaz que também é uma grande diretora e a Lucia Chediak, mas a iluminação ainda é um mercado dominado pelos homens. 
E foram esses dez anos na iluminação que me deram coragem para dirigir. Pois é preciso coragem! Na “Quase uma adaptação” tivemos um processo colaborativo, o que facilitou bastante essa primeira empreitada, os atores tiveram um papel fundamental na construção das cenas, trabalhamos muito com improviso. Pensar o teatro como um todo parece fácil quando estamos como espectador, mas de dentro as coisas mudam. 
Meu principal objetivo sempre foi fazer uma peça que comunicasse com todo mundo, o texto do Lucas tem várias camadas, e hoje vejo que consegui o que queria. A maior dificuldade foi acumular as funções de Direção e Produção, a diretora criava e a produtora cortava as asinhas, para ajustar dentro do nosso orçamento apertado. Mas nessas horas ser mulher ajuda, estamos acostumadas a fazer 50 coisas ao mesmo tempo.

Tatiana Bueno

Tatiana Bueno

Quer saber mais sobre o espetáculo? Segue o release!

Resultado de uma pesquisa iniciada em 2014,  no Centenário do autor argentino Julio Cortázar,  pela Nossa Companhia, QUASE UMA ADAPTAÇÃO estreia no dia 12 de fevereiro, sexta-feira, às 20 horas, no Auditório da Biblioteca Mario de Andrade (pré-estreia para convidados na quinta-feira,  dia 11 de fevereiro). Primeira montagem profissional de um texto do dramaturgo Lucas Lassen, tem direção da atriz e produtora Tatiana Bueno, e elenco formado pelos atores Alexandra DaMattta, Bia Toledo e Everson Romito.

A certeza de que a montagem deveria acontecer veio depois que Tatiana e Lucas participaram do Ato Público de reconhecimento ao registro de 22 coletivos teatrais como Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de São Paulo. “Fizemos um paralelo  do   conto  de Cortázar, por meio da alegoria de uma casa sendo tomada  com o momento artístico do teatro paulista.  O centro de São Paulo passa por um processo de gentrificação que afeta,  companhias e grupos, que mesmo tombados não tem garantia da continuidade de seus espaços,  e muitos estão perdendo suas sedes por conta da especulação imobiliária. Com isso, temos que pensar que cidade queremos. ”, explica Lucas.

Esse é o segundo trabalho da Nossa Companhia, que é um coletivo de arte aberta, sem nomes fixos e que pode ter novos integrantes a cada trabalho.

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QUASE UMA ADAPTAÇÃO mostra a história de um grupo de teatro, que tem a sua sede, e está montando uma peça baseada no conto Casa Tomada, de Júlio Cortázar, no qual a história é centrada em dois irmãos, mergulhados na mesma rotina que se resume a casa em que vivem. Subitamente ela é tomada por barulhos inusitados e desprovidos de razão, e sem questionar seus ocupantes não veem outra saída senão abandonar o casarão. Nesta adaptação, no decorrer dos ensaios acontecimentos fantásticos mudam o cotidiano do grupo e aos poucos as duas realidades, conto e vida, se fundem até o momento que o teatro é tomado.

Quase uma adaptação
O nome do espetáculo é um reflexo do que acontece com os personagens da peça, que não conseguem finalizar a adaptação por conta dos ruídos externos. Segundo o dramaturgo Lucas Lassen, apesar de não ser uma versão literal do texto de Cortázar, a peça segue a mesma estrutura do conto e em determinado momento os personagens passam a viver o que os personagens do conto vivem.

O conto de Cortázar é desconstruído, assim como tudo o que o público vê na primeira parte do espetáculo. Uma metáfora sutil disso são os dois cachecóis que uma das atrizes produz em cena usando a técnica de tricô de mãos. Ela tricota, desfaz e refaz todo o trabalho ao longo da peça.

Foco no ator
Para a direção, Tatiana disse que o foco do trabalho é no ator. Outro ponto importante desse projeto, é que atuação, trilha, iluminação, tudo serve ao texto. “Meu objetivo sempre foi servir ao texto do Lucas e usar a minha direção para criar um espetáculo que falasse com os mais diversos públicos”, explica Tatiana Bueno.

Segundo a diretora, “o texto tem múltiplas camadas e uma série de referências (a maioria bem sutil) a coisas que foram surgindo em nossa pesquisa. Mas a peça não é hermética. Sou a favor de um teatro que se comunique com todos. ”, conta.

Quase uma Adaptação

Quase uma Adaptação

QUASE UMA ADAPTAÇÃO – Estreia dia 12 de fevereiro, sexta-feira, às 20 horas, no Auditório da Biblioteca Mario de Andrade (pré-estreia para convidados no dia 11 de fevereiro, quinta-feira, às 20 horas). Texto – Julio Cortázar. Dramaturgia – Lucas Lassen. Direção –Tatiana Bueno. Elenco – Alexandra DaMatta, Bia Toledo e Everson Romito. Consultoria Histórica – Ricardo Cardoso. Preparação de Atores – Inês Aranha. Iluminação – Lisa Medeiros.  Cenário e Figurino – Osvaldo Piva. Trilha Original – Ivan Chiarelli. Costureira – Therezinha Bueno. Fotos – João Valério.  Video – FVFilmes. Realização – Prêmio Zé Renato de Teatro. Idealização – Nossa Companhia. Produção – Clube do Mecenas. Duração – 60 minutos. Recomendado para maiores de 12 anos. Temporada – Quinta-feira a sábado às 20 horas e domingo às 18 horas. GRÁTIS – retirada de ingressos com uma hora de antecedência. Até 20 de março.

BIBLIOTECA MARIO DE ANDRADE – AUDITÓRIO – Rua da Consolação, 94 – Consolação. Telefone –  (11) 3775-0002. Capacidade – 120 lugares.

Aproveito para agradecer a assessora de imprensa Vanessa Fontes, da Nossa Senhora da Pauta!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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