Artistas que você TEM que conhecer: Ruth de Souza

Ruth de Souza

Ruth de Souza

Dia desses, folheando o “Dicionário Mulheres do Brasil”, parei na letra R e li Ruth de Souza. Uma grande mulher do nosso teatro! 

Ruth é uma atriz negra e tem uma trajetória incrível! Confesso que eu conhecia pouco da artista. Infelizmente, nossas atrizes negras tem uma visibilidade muito pequena, com destaque para pouquíssimas como a atriz Tais Araújo, que recentemente sofreu ataques racistas na internet.

No entanto, isso não significa que elas não existam! Existem sim e temos muitas!!

Não é bolinho: além de ter que romper com a barreira do gênero, essas artistas tem que romper com a barreira do preconceito racial. Mas elas estão ai ! A atriz e diretora Lena Roque falou um pouquinho sobre essa dificuldade pra gente.

Só sei que hoje é dia de RUTH DE SOUZA. Transcrevo o verbete “Ruth de Souza” do Dicionário de Mulheres do Brasil.

Ruth de Souza nasceu no Rio de Janeiro em 1928, filha da lavadeira Alaíde e de um lavrador chamado Sebastião. Ainda criança foi morar em Minas Gerais. Voltou ao Rio quando seu pai faleceu. Quem a levava às sessões de cinema e teatro era sua mãe.

Novela "Verão Vermelho" - 1970 - Rede Globo

Novela “Verão Vermelho” – 1970 – Rede Globo

Ruth se apaixonou pela arte e foi incentivada pela sua família. Aos 17 anos, fundou com Abdias do Nascimento e Agnaldo Camargo o Teatro Experimental do Negro (TEN), e estreou com a peça “O imperador Jones”, no teatro municipal do Rio de Janeiro, tendo sido a primeira atriz negra a representar naquele palco. Foi também a primeira atriz negra a interpretar Desdêmona, da peça “Otelo” de William Shakespeare.

Já como profissional estreou a peça “Terras do sem Fim”, de Jorge Amado. Essa peça virou roteiro de um filme, e o próprio Jorge Amado indicou Ruth para viver, no cinema, o papel que foi seu no teatro. O filme chamou-se “Terra violenta” e foi produzido pela Atlântida em 1947.

Seu talento e dedicação às artes cênicas foram premiados quando recebeu uma bolsa de estudos da Fundação Rockfeller para estudar teatro nos Estados Unidos. Na Karamu House, em Cleveland, aprendeu tudo que se relacionava aos palcos: dramaturgia, iluminação, som, vestuário, dança e música. Como continuidade do curso de especialização, fez um estágio de um mês na Howard University, em Washington, partindo depois para Nova York, onde ficou dois meses na Academia Nacional do Teatro Americano.

Ruth também fez parte do cinema brasileiro, tendo participado de filmes como “Falta alguém no manicômio” e “Somos irmãos”, ambos com Grande Otelo. Recebeu muitas vezes o Prêmio Saci e outros, mas sempre como atriz coadjuvante, embora na Mostra Internacional de Veneza, pelo trabalho no filme “Sinha Moça”, foi indicada ao prêmio de melhor atriz ao lado de Katherine Hepburn e Lili Palmer. Estreou ma televisão em 1952, na TV Tupi e 1965 na TV Globo.

"Sinha Moça" - Ruth de Souza e Grande Otelo

“Sinha Moça” – Ruth de Souza e Grande Otelo

Em 08 de abril de 1988, recebeu, em Brasília, a comenda do Grau de Oficial da Ordem Brasil, por sua contribuição às artes cênicas brasileiras; em 1999, o Prêmio Ministério da Cultura.

Reconhecida como uma grande atriz por seus pares e pelo público brasileiro, Ruth de Souza, interpretou vários papéis que expressam o lugar historicamente destinado às mulheres negras: papéis secundários na trama, empregada doméstica, escrava, mulher pobre.

Para saber mais da Ruth:

Mulheres do Cinema Brasileiro

Museu Afro Brasil

Funarte – Memória das Artes

Biografia Uma Estrela Negra no Teatro Brasileiro: Relações Raciais e de Gênero nas Memórias de Ruth de Souza

Se você tem alguma artista que admira e ainda não viu aqui, manda pra gente!

Até mais!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *