Artistas que você TEM que conhecer: NINA SIMONE e uma PAUSA

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Artistas que você TEM que conhecer: NINA SIMONE e uma PAUSA

Uma pausa porque, diferentemente dos outros posts, não vou trazer a biografia da artista e sim comentar o documentário “What Happened, Miss Simone?” produzido pelo serviço de streaming de vídeos NetFlix.

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O documentário traz a vida da cantora norte-americana Nina Simone. Coincidentemente, nesta semana teremos aqui no blog uma entrevista com a Produtora Musical Shirley Higa, que nos trouxe alguns dados importantes sobre as mulheres na música clássica.

E por que coincidência?

Porque no documentário Nina Simone diz, em diversas ocasiões, que queria ser a primeira mulher negra da música clássica.

Ela foi, sem dúvida, um grande nome da música, mas não da música clássica, como queria. Em outra ocasião Nina diz que nunca teve escolhas: tocava piano desde os 4 anos e começou a cantar para ganhar dinheiro.

Joguei no google “mulher artista negra da música clássica” e apareceu…NINA SIMONE!

E isso me fez pensar: Não tivemos mulheres negras na música clássica? Fazendo concertos e tudo o que é próprio desse universo?

Uma coisa que me incomoda e que, por conta disso, me deixa em constante atenção é tratar o grupo “mulher” como algo homogêneo. Não é. E Nina Simone deixa isso bem claro: Nina não tinha só a desigualdade de gênero para enfrentar, tinha também a questão racial. Nina era negra, americana, nos anos 60.

Preste atenção na frustração da cantora por ter feito um show em um importante teatro de Nova Iorque. Ela queria muito estar ali, mas tocando música clássica! Nina, aos 19, e com um talento inegável, foi recusada em um conservatório por ser negra. E detalhe: para fazer esse show no tal teatro em Nova Iorque, foi a própria Nina quem bancou, pois, por ser negra, dificilmente teria patrocínio.

Nina sofreu violência doméstica, pressão para trabalhar, esteve em uma relação extremamente abusiva que, infelizmente, a deixou em frangalhos. História comum a muitas artistas geniais que, como dizem, não se adequavam ao seu tempo. Aliado a tudo isso, Nina era negra. Tinha mais um preconceito para enfrentar.

A música de Nina Simone virou uma música pelos direitos civis nos Estados Unidos. Era os anos 60 e os negros americanos lutavam pelo fim da segregação racial. Nina foi muito importante e ativa nessa luta. Tornou-se uma ativista, o que depois lhe custou caro: muitas portas se fecharam.

Assistir ao documentário sobre Nina Simone me fez questionar ainda mais sobre como ter um espaço de mulheres artistas, que em comum tem a questão da desigualdade de gênero como pauta, mas dentro desse grupo, não deixar outras questões ficarem invisíveis. E uma delas é a questão racial.

Quando falamos que as mulheres começaram a ir para ao mercado de trabalho nos anos 50, por exemplo, estamos falando da mulher branca. A mulher negra já trabalhava há muito tempo.

No caso da arte também. Se era difícil ser mulher branca nesse meio, o que pensar da mulher negra? Não tivemos artistas negras? Dúvido! Cadê elas?

Por isso este post é uma pausa: pergunto para mim e para vocês minhas queridas artistas, como não continuar perpetuando o silêncio, criando dentro de um grupo de silenciados outros silêncios?

Temos que afinar nosso olhar e ir fazendo essas perguntas. É tudo muito mais profundo e isso se torna inevitável quando você abre a porta do questionamento.

E eu adoraria ouvir sua opinião sobre isso. Deixe aqui nos comentários. Se tiver referências, nomes, deixe aqui para a gente.

E um pouco mais de Nina Simone!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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