Artistas que você TEM que conhecer: Natalia Ginzburg

REDE
dezembro 16, 2015
Artistas que você TEM que conhecer: Vanja Orico
dezembro 27, 2015
Ver tudo

Artistas que você TEM que conhecer: Natalia Ginzburg

Entrei em contato com o livro “Caro Michele” da Natalia Ginzburg meio por acaso e não me arrependi. É uma escritora muito bacana e que merece ser lida.

Natalia Levi Ginzburg nasceu em Palermo, em 1916. Pertenceu a um grupo intelectual da maior expressão da literatura e crítica italiana, do qual fazia parte Cesare Pavese, Italo Calvino, Elio Vittorini, Giulio Einaudi e Eugenio Montale. Seu primeiro marido, Leone Ginzburg, foi morto numa prisão romana em 1944. Um dos filhos do casal é o renomado historiador Carlo Ginzburg, conhecido pela obra O queijo e os vermes (1976) e autor da introdução feita especialmente para a edição brasileira do livro Piero della Francesca, de Roberto Longhi, publicado pela Cosac Naify, em 2007. Natalia casou-se depois com o crítico literário Gabriele Baldini. Integrou o Partido Comunista, foi ativista política e deputada. Escritora notável, obteve grande reconhecimento na Itália e no exterior, tendo sido traduzida para o inglês, alemão, espanhol e francês. Trabalhou na editora Einaudi, em Turim, foi tradutora, entre outros, de Marcel Proust e de Gustave Flaubert e publicou seu primeiro romance em 1942, sob pseudônimo.

Natalia foi Maria de Betânia no filme “O Evangelho Segundo São Mateus”, de Pasolini. O livro “Caro Michele” foi adaptado para o cinema em 1976, por Mario Monicelli. Esse livro tem uma curiosidade: ele é inteiro formado por cartas e é pelas lembranças dos outros que conhecemos o protagonista do livro. Bem interessante!

A  Cosac Naify lançou ainda os livros “Léxico Familiar” e “As Pequenas Virtudes” no Brasil.

ginzburgQuando a Cosac lançou o livro “Pequenas Virtudes”, o jornal Folha de São Paulo fez uma crítica bem legal:

“As Pequenas Virtudes”, que dá título ao livro, fala da importância de se ensinar aos filhos a verdadeira grandeza ( a generosidade, a franqueza, o amor ao próximo) ao lado das atitudes mais pontuais e escorregadias (a prudência, a diplomacia, a astúcia). é uma aula de educação que também serve de gatilho para a autoanálise.

Claro, Ginzburg é especialista em esmiuçar a transição da inocência para uma maturidade serena, destacando o valor do aprendizado pelo sofrimento e pelas dificuldades – o que, no seu caso, foi representado pelo fascismo.

“Conhecendo a realidade em sua face mais terrível”, escreve ela, cujo nome de batismo é Natalia Levi. É esse conhecimento que fica, e que é transmitido de forma tão simples e direta. Ao falar de si sem vaidade ou autoindulgência, Ginzburg já deixa uma lição preciosa para o leitor.

Minha leitura atual é justamente esse livro. E tô curtindo bastante! Termino com um pequeno trecho de um dos textos:

Natalia Ginzburg como Maria de Betania, direção Pasolini

Natalia Ginzburg como Maria de Betania, direção Pasolini

“Tenho os sapatos rotos, e a amiga com quem vivo neste momento também tem os sapatos rotos. Quando estamos juntas, falamos sempre de sapatos. Se lhe falo do tempo em que serei uma escritora velha e famosa, ela logo me pergunta “Com que sapatos?”. Então lhe digo que terei sapato de camurça verde, com uma grande fivela de ouro ao lado.

Pertenço a uma família em que todos têm sapatos sólidos e saudáveis. Aliás, minha mãe teve até de fazer um armarinho só para guardar os sapatos, de tantos pares que tinha. Quando volto para casa, soltam gritos de dor e indignação ao verem meus sapatos. Mas sei que também se pode viver com sapatos rotos”

Natalia Ginzburg morreu em Roma, Itália, em 1991.

Até a próxima!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

 

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *