Artistas que você TEM que conhecer: Mercedes Sosa e uma pausa

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Artistas que você TEM que conhecer: Mercedes Sosa e uma pausa

Há alguns dias estava conversando com duas meninas, com idades entre 25 e 30 anos, e comentei sobre Mercedes Sosa.

epa01886100 (FILE) A file picture dated 14 July 2003 shows Argentinian singer Mercedes Sosa performing during a concert at the Open Air Theater in Istanbul, Turkey. Sosa has died at the age of 74 in Buenos Aires, Argentina on 04 October 2009, according to media reports. EPA/KERIM OKTEN

epa01886100 (FILE) A file picture dated 14 July 2003 shows Argentinian singer Mercedes Sosa performing during a concert at the Open Air Theater in Istanbul, Turkey. Sosa has died at the age of 74 in Buenos Aires, Argentina on 04 October 2009, according to media reports. EPA/KERIM OKTEN

Quem?

Elas nunca tinha ouvido falar de Mercedes Sosa, e esse fato me fez fazer mais uma pausa aqui no blog.

Mercedes Sosa tem uma das vozes mais incríveis que já ouvi. Recentemente, assisti no NetFlix um documentário sobre a cantora argentina, realizado pelo seu filho.

O filme mostra a paixão de Mercedes pela sua terra, sua postura forte e atuante durante a ditadura militar da Argentina, sua ligação com músicos brasileiros como Chico Buarque, Milton Nascimento e Fagner, o exílio em Paris, a depressão que sofreu e seu retorno aos palcos.

Mercedes foi uma ativista política, apaixonada pela América Latina. Tanto que até a Wikipédia, na biografia da cantora, destina um lugar só para o seu ativismo político, que reproduzo abaixo:

“Sosa, que sempre foi ativa entre os movimentos peronistas de esquerda, fez oposição ao presidente Carlos Menem e manifestou apoio às eleições de Néstor e Cristina Kirchner.

Na década de 1960, Mercedes participou do Movimento do Novo Cancioneiro, surgido em Mendoza e centrado na música popular latino-americana, com ênfase no componente social. Além de obter sucesso na Argentina, a artista ganhou palcos pelas Américas e também na Europa. A temática social e a ligação com a esquerda lhe renderam também dissabores. Em 1979, um show da artista foi invadido pelos militares, durante a ditadura argentina (1976-83). Não apenas ela foi presa, mas inclusive o público presente. Naquele mesmo ano, Mercedes decidiu se exilar. “La Negra”, como também era conhecida, voltou à Argentina em 1982, na fase final da ditadura. Na década de 1980, Mercedes realizou trabalhos em parceria com Milton Nascimento. Entre os brasileiros que também cantaram com ela estão ainda Caetano Velloso, Daniela Mercury e Beth Carvalho.

Sua preocupação sociopolítica refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das grandes expoentes da Nueva canción, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdade sociais”.

Mercedes Sosa foi uma figura importante não só para o povo argentino, como também para o brasileiro. Não é exagero dizer que Mercedes teve grande representatividade para todos os povos da América Latina.

Quando ficou exilada em Paris, Mercedes fazia shows com suas músicas folclóricas, em espanhol. Ela saiu da Argentina, mas o povo latino não saiu dela.

UNITED KINGDOM - OCTOBER 02: ROYAL FESTIVAL HALL Photo of Mercedes SOSA (Photo by Jon Lusk/Redferns)

UNITED KINGDOM – OCTOBER 02: ROYAL FESTIVAL HALL Photo of Mercedes SOSA (Photo by Jon Lusk/Redferns)

Este trecho também é bem interessante e mostra a importância da cantora aqui no Brasil:

“No Brasil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, entre outros artistas, são expressões da Nueva Canción, marcada por uma ideologia de rechaço ao que entendiam como imperialismo norte-americano, consumismo e desigualdade social. A Polygram sempre aproveita as excursões de Mercedes Sosa ao Brasil para lançar seus novos discos.

Em 1998 em turnê pelo Brasil Mercedes passou pelo aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde foi proibida de sair da sala VIP, lá foram vê-la seus amigos Milton Nascimento e Chico Buarque, entre outros.

Na época, seu nome constava na relação dos indesejáveis da ditadura militar que dominava o Brasil.

Mais tarde, quando, finalmente, obteve autorização para fazer sua primeira excursão pelo Brasil, a temporada foi tensa. Em Curitiba seus fãs em sua maioria eram os estudantes que se identificavam com sua música de protesto, suas posições políticas corajosas e dignas”.

Mercedes nos deixou em outubro de 2009, aos 74 anos.

Deixou fisicamente, porque a voz de Mercedes Sosa é eterna! Pelo menos para mim!

Me emociono muito com ela! Esta música em particular, “Gracias a La Vida” é de arrepiar!

A música é da chilena Violeta Parra e já foi regravada também pela Elis Regina.

E você? tem alguma artista que te emociona? Manda pra gente!

Abraços,

Priscilla Leal

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

1 Comment

  1. […] exemplo da cantora argentina Mercedes Sosa, que defendia a música do folclore do seu país, Vanja defendia a música brasileira não […]

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