Artistas que você TEM que conhecer: Liv Ullmann

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Artistas que você TEM que conhecer: Liv Ullmann

Liv Ulmann é uma atriz e diretora norueguesa, nascida em 1938.

 

A atriz começou a carreira no teatro e fez parte do Teatro Nacional da Noruega, onde interpretou grandes clássicos

Debutou no cinema em 1957 e se casou com um psiquiatra aos 20 anos. Cinco anos depois conheceu, em Estocolmo, Bibi Andersson, que pertencia a Companhia Bergman. O produtor e diretor sueco Ingmar Bergman se surpreendeu com a semelhança física das duas mulheres e escreveu “Persona” para elas. Separada de seu marido, Liv Ullmann viveu alguns anos com Bergman e tiveram uma filha. Participou de dez dos seus filmes, entre eles “Quando Duas Mulheres Pecam” (1966) e “Gritos e Sussurros” (1972).

A atriz escreveu uma autobiografia chamada “Mutações” que eu recomendo. Além de passar pela sua vida pessoal, a atriz fala da sua carreira, do peso de se relacionar com um diretor famoso, de algumas técnicas que ela utilizava ao interpretar.

Eu li esse livro há alguns anos e me lembro de uma passagem que me marcou: a atriz narra que adorava closes.  Ela focava em uma parte do rosto e jogava a sua energia ali. Quem assistiu persona percebe o quanto rosto da Liv é expressivo.

Em São Paulo, anos atrás – Ingmar Bergman ainda estava vivo -, Liv contou ao repórter que, quando se (re)encontravam, andavam de mãos dadas, naturalmente, mas que era difícil, para ambos, verbalizar os sentimentos, as sensações. Já era assim nos filmes, com as mulheres que ele lhe dava para interpretar. Liv, naturalmente, com o tempo, foi se desinteressando do cinema. Como explicou numa entrevista – “Cada vez mais, os filmes são falsos, guiados pelo dinheiro.” E ela acrescentava. “Sou do tempo da película. O que a luz gravava, era eterno. Hoje, com o digital, pode-se retocar tudo, até a interpretação.” Apesar do tempo implacável, ela ainda é uma bela mulher.

Prefere-se assim, com marcas. Não conseguiria botocar-se, como diz.

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Este trecho faz parte do livro “Mutações“:

Não creio que minha parcela de conhecimento ou de experiência seja maior do que a de qualquer outra pessoa.

Realizei um sonho – e tive mais dez, em lugar dele. Vi o outro lado de uma coisa cintilante.

Não escrevo a respeito da Liv Ullmann que as pessoas encontram nas revistas e nos jornais. Alguns podem pensar que omiti fatos importantes sobre minha vida, mas nunca tive intenção de escrever uma autobiografia.

Minha profissão requer uma exibição diária de corpo, rosto e emoções. Ironicamente, agora sinto que estou com medo de me revelar. Medo de que, pondo as coisas no papel, eu fique vulnerável e não seja mais capaz de me defender.

Sinto a tentação de fantasiar, fazer com que eu mesma e meu ambiente pareçam agradáveis, a fim de conquistar a simpatia do leitor. Ou de dramatizar as coisas para torná-las mais excitantes.

É como se eu não estivesse convencida de que a realidade em si tem algum interesse.

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Liv hoje tem 77 anos e é diretora de cinema.

Eu adoro essa atriz!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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