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Artistas que você TEM que conhecer: Leila Diniz

Não tem como falar de mãe artista e não se lembrar da atriz Leila Diniz!

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Leila foi uma mulher transgressora. Enquanto as mulheres não exibiam suas barrigas de grávidas, ela colocou um biquíni e, orgulhosa, se deixou fotografar.

A atriz nasceu em Niterói, no ano de 1945, e morreu em um acidente aéreo na Índia, em 1972. Tinha uma bebê recém-nascida, sua única filha Janaina, e estava voltando mais cedo de um Festival de cinema para vê-la.

Leila era uma mulher livre. Fez cinema, televisão, enfrentou a ditadura militar e uma sociedade conservadora. A artista tem frases ótimas que ainda hoje podem chocar:

“A mulher brasileira deveria ir menos ao psicanalista e mais ao ginecologista”

“Eu trepo com todo mundo só não trepo com qualquer um”

Era uma mulher que detestava convenções.  Com seu jeito livre incomodou não só os machistas de plantão, como também as feministas que a acusavam de ser um objeto dos homens.

Mas Leila continuava. Expôs o corpo em uma época de recato, falou palavrões em público numa época em que só os homens podiam fazer isso, fez apologia ao prazer sexual.

Como atriz trabalhou em teatro, cinema e televisão. Tem uma passagem curiosa na sua carreira: Leila trabalhou no teatro com Cacilda Becker. Tudo porque a Cia de teatro dirigida por Cacilda colocou um anúncio no jornal abrindo vaga para atriz e Leila foi a única a aparecer. Fez uma ponta no espetáculo.

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Ela não teve tanto destaque nesses veículos, não é conhecida como uma grande atriz, mas muito pode ser pelos vetos e preconceitos que sofreu. Mas, novamente, Leila seguia. Fez, inclusive, teatro de revista. Ela queria se divertir e fazia isso com primor.

Eu sou uma fã declarada da Leila Diniz. O que mais admiro nessa mulher é que essa liberdade que ela pregava e vivia não foi de graça: ela conquistou! Ela se ouvia e optou por transgredir tudo o que a incomodava. Eu acho isso de uma coragem impar!

Tem duas biografias que eu gosto muito: “Leila Diniz – uma revolução na praia”, Joaquim Ferreira dos Santos e  “Toda mulher é meio Leila Diniz”, Mirian Goldenberg.

Em um desses livros, salvo engano no do Joaquim Ferreira, ele conta que teve um período que Leila ia a dois terapeutas. E ela era uma menina bem jovem, já que, infelizmente a perdemos com 27 anos.

Outro texto que gosto muito é este:

Uma noite, escreveu no diário:

“Sou uma pessoa livre e em paz com o mundo. Conquistei a minha liberdade a duras penas, rompendo com as convenções que tolhiam os meus passos. Por isso, fui muitas vezes censurada, mas nunca vacilei, sempre fui em frente. Tudo que fiz me garantiu a paz e a tranquilidade de hoje. Sou Leila Diniz.”

 

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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