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No post de hoje não vou apresentar uma artista especificamente, mas sim um grupo de mulheres que fazem bordados utilizando a técnica arpillera.

http://www.mabnacional.org.br/noticia/memorial-da-am-rica-latina-recebe-exposi-internacional-arpilleras

http://www.mabnacional.org.br/noticia/memorial-da-am-rica-latina-recebe-exposi-internacional-arpilleras

Devido ao projeto que desenvolo “Mulheres Artistas na Ditadura” entrei em contato com a técnica de bordado arpillera. Em pesquisa na internet encontrei o grupo “Arpilleras: bordando a resistência” e a psicológa espanhola Esther Vital, que fui conhecer em uma oficina de arpillera no SESC Osasco.

O trabalho é apaixonante e de 25 de setembro a 25 de outubro, o Memorial da América Latina, em São Paulo, receberá a exposição “Arpilleras: Bordando a resistência”.

Mas afinal o que é Arpillera?

A Arpillera é uma técnica têxtil chilena que possui raízes numa antiga tradição popular iniciada por um grupo de bordadeiras de Isla Negra, localizada no litoral central chileno.As arpilleras originais eram montadas em suporte de aniagem, pano rústico proveniente de sacos de farinha ou batatas, geralmente fabricados em cânhamo ou linho grosso. Toda a costura é feita à mão, utilizando agulhas e fios. Às vezes sao adicionados fios de la à mão e com crochê, para realçar os contornos das figuras. Normalmente o tamanho destas obras era determinado pela dimensão do saco. Uma vez consumido o seu conteúdo, ele era lavado e cortado em seis partes, possibilitando assim que o mesmo número de mulheres bordasse a sua própria história, a de sua família e de sua comunidade. A tela de fundo se chama arpillera, dando o nome a essa expressão artística popular.

Essa técnica foi muito utilizada para denunciar as atrocidades cometidas na ditadura militar chilena, motivo pelo qual muitas mulheres foram perseguidas pelo General Pinochet, que inclusive destruíu muitas oficinas. Para driblar a censura,  as mulheres utilizavam materiais simples.

No Brasil a técnica foi aprendida por um grupo de mulheres de Poconé -MT e se transformou em motivo de orgulho e geração de renda. Elas bordam (o bordado é só um acessório ao trabalho têxtil) com tecidos, a fauna e a flora pantaneira, os festejos locais ou simplesmente imagens que lhes vem do cotidiano.”.

Desde 2013 mulheres de diversos lugares do Brasil vêm utilizando as arpilleras para denunciar as violações cometidas nas construções de barragens. Inclusive, esse movimento realizou um documentário que acabou de atingir o financiamento na plataforma de crowdfunding CATARSE.

A cantora chilena Violeta Parra, entusiasta dessa técnica definiu bem as arpilleras:

“ARPILLERAS SÃO COMO CANÇÕES QUE SE PINTAM”

https://www.catarse.me/pt/arpilleras

https://www.catarse.me/pt/arpilleras

Não tenho muito o que escrever no post. O trabalho fala por si só. Achei lindo e quero conhecer mais. E acho mais lindo ainda uma exposição com esses bordados. Considerando que, muitas vezes, o bordado é visto como algo menor, essencialmente feminino e realizado apenas como hobby, uma exposição que mostra a força dessa arte e de como ela se transformou numa plataforma de expressão e denúncia, é digna de um post só dela.

A exposição conta ainda com atividades paralelas como oficina de bordado, palestras e exibição de filmes.

Segue  a programação:

“Entre 25 de setembro e 25 de outubro, o Salão de Atos do Memorial da América Latina abrigará a exposição internacional “Arpilleras: bordando a resistência”, que reúne 37 peças de bordado construídas por mulheres de seis países da América Latina e Europa, com o objetivo de problematizar e transgredir o papel feminino na sociedade. Dessas arpilleras, 25 foram produzidas coletivamente pelas mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

As obras foram elaboradas por meio de uma técnica de bordado, conhecida como arpillera, popularizada mundialmente a partir da oposição realizada ao regime militar chileno (1973 – 1990). Na ocasião, mulheres das periferias de Santiago se utilizavam das roupas de parentes desaparecidos para denunciar as violações de direitos humanos cometidas pelo governo do general Augusto Pinochet.

No Brasil, a técnica foi resgatada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em oficinas realizadas com mais de 900 mulheres atingidas por projetos hidrelétricos nas cinco regiões do Brasil desde 2013. O resultado poderá ser visto nas linhas de 25 bordados da exposição.

Durante a programação, também estão previstas oficinas de bordados, com o objetivo de problematizar as violações de direitos humanos que envolvem o universo feminino, além de palestras e exibição de filmes.

Confira a programação completa!

| Sexta, 25 Setembro, Salão de Atos Tiradentes |

19h00:
Ato de Abertura /Vernissage da exposição “Arpilleras, Bordândo a Resistência”, com a Curadora Internacional Roberta Bacic

20h00:
Coquetel e Animação Cultural

| Sábado, 26 de Setembro, Biblioteca Latino- Americana (Auditório) |

9h00 – 17h00:
Seminário “Costurando Direitos Humanos”*

18h00:
Ato Encerramento Projeto “Direitos das Populações Atingidas no Brasil” (MAB – União Européia)

| Sábados, 17 e 24 de Outubro, Salão de Atos Tiradentes |

14h00 – 17h00:
Oficinas de Confecção de Arpilleras *

| Segunda, 19 de Outubro, Biblioteca Latino- Americana (Auditório) |

9h00 – 17h00:
Seminário “Mulheres em Luta: Bordando a Resistência” *

| Quinta, 22 Outubro, Biblioteca Latino- Americana (Auditório) |

9h00 – 17h00:
Seminário “Modelo Energético Brasileiro: Atualidades e Desafios”*

19h00:
Ato de Encerramento e Agitação Cultural (Salão de Atos Tiradentes)

| Domingos, às 18horas, na praça cívica** |

Cineclube Latino Americano

| 4 de Outubro: Arpilleras: Bordando à Resistência |

“Como Alitas de Chincol” (Vivianne Barry, Artemia Films, 2002)
“Retazos de Vida: Arpilleras Chilenas” (Gayla Jamison, 1993)
“Hilos que unen” (Gayla Jamison, 2014)
Teaser: “Arpilleras: bordando à resistência” (MAB, 2015)

| 18 de Outubro: Resistências e Lutas dos/as atingidos/as por Barragens |

“Guapiaçu: um Rio (de Janeiro) Ameaçado” (MAB, 2015)
“Garabi Panambi: a última batalha do rio Uruguai” (MAB, 2015)

| 25 de Outubro: A questão Energética na Amazônia |

“Ameaça à Volta Grande do Xingu” (MAB, 2014)
“As contradições do Complexo Tapajós” (MAB, 2013)

*Necessária inscrição previa no seguinte link:
http://goo.gl/forms/jSk3qUBbb8

** As sessões podem ser projetadas no Auditório da Biblioteca Latino-Americana

SERVIÇO

Arpilleras, Bordando a Resistência
25 de Setembro – 25 Outubro
Ato de Abertura, sexta, 25 de setembro, às 19 horas

Terça a domingo, das 9h às 18h
Salão de Atos Tiradentes
Fundação Memorial da América Latina

Entrada franca.”

Até mais! E quem for a exposição comenta aqui com a gente!

Priscilla Leal

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

2 Comments

  1. Daniela disse:

    Ótimo. Aguardo atualizações.

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