Artistas que você TEM que conhecer: e que estão no CCBB São Paulo

Artistas que você TEM que conhecer: e que cabem no bolso
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Demorei para ir à exposição  “Kandinsky: Tudo começa num ponto”, em cartaz no espaço do Centro cultural Banco do Brasil – CCBB, em São Paulo.

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A exposição vai até o dia 28.09, então ainda há tempo de ir conferir. Recomendo bastante! Além de ser gratuita, o sistema de reserva pelo aplicativo do Ingresso Rápido, facilita muito a organização. Além disso, o CCBB disponibilizou uma van que leva os visitantes até o prédio. A saída é no estacionamento do Edifício Zarvos, Rua da Consolação, 228, Centro.

Fui no domingo e me deparei com obras de duas mulheres que eu nunca tinha ouvido falar!

Destaco aqui para vocês:

Marianne Von Werefkin

O autorretrato da artista Marianne Werefkin é um dos mais escolhidos para ilustrar capas de livros sobre artistas, principalmente mulheres artistas. Isso porque, a artista se retratou de forma corajosa, com olhos orgulhosos e cores não naturais.

A artista nasceu na Rússia, em 1860, e faleceu na Suíça em 1938. Foi uma pintora expressionista.

Sua mãe era pintora e seu pai general. Veio de uma família aristocrata e, quando seus pais perceberam seu imenso talento para as artes, teve como professor particular o pintor Ilya Repin.

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/Marianne_von_Werefkin_self-portrait.jpg

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Em 1888 a artista sofreu um grave acidente que, quase, a impediu de continuar a pintar: acidentalmente deu  um tiro em sua mão direita, enquanto praticava o esporte da caça.

Marianne, junto com seu namorado também pintor Alexej Jawlensky e o casal Gabriele Münter e Wassily Kandinsky, mudou-se para os Alpes alemães, em uma pequena aldeia chamada “Murnau”. Lá deu-se o que é considerado o início da pintura abstrata.

A artista era inovadora, com muitas ideias a frente do seu tempo.Tanto que, dizem alguns biógrafos, as ideias defendidas pelo pintor Kandinsky, eram na realidade da pintora Marianne Von Werefkin, que ele disseminou sem citar a fonte.

Com a eclosão da primeira Guerra Mundial Werefkin mudou-se com Jawlensky para a Suíça neutra. Ela perdeu a pensão czarista, que recebia devido ao seu pai ter sido general, por conta da  revolução russa. Completamente empobrecida, mas criativamente ininterrupta, e apoiada por bons amigos e admiradores de seu trabalho, ela passou o último trimestre de sua longa vida em Ascona, Suiça. Ela doou muitas de suas pinturas para a cidade, que hoje possui a maior coleção de obras de Werefkin. 

Marianne

“Outono escola” – Marianne Werefkin

Na exposição a obra da Marianne Werefkin está no 1º subsolo! Repare nela!

Gabriele Münter

Gabriele Münter nasceu na Alemanha em 1877 e faleceu em 1962. Foi uma pintora expressionista e fotógrafa.

Essa artista é muito interessante, mas infelizmente, muitas vezes, fica limitada como esposa do pintor Wassily Kandisnsky.

Gabrielle Münter

Gabriele Münter

Gabriele começou a pintar cedo e com professores particulares. Muito disso se deu por ser de família endinheirada e pela proibição das mulheres estudarem na Academia de Belas Artes de Munique. Viajou durante dois anos pelos Estados Unidos com sua irmã e quando reingressou a Alemanha, foi estudar na escola progressiva de arte Phalanx, onde conheceu Kandinsky.

Viajaram bastante e durante uma temporada em Paris, Gabriele entrou em contato com as obras de Henri Matisse, o que mudou seu jeito de pintar. Começou, então, a desenvolver um estilo abstrato próprio, com brilhantes cores sem misturar, formas fortes, tudo delineado por obscuras linhas de separação.

Este trecho sobre a artista é bem interessante e mostra sua importância. Após romper com Kandinsky, que na realidade foi embora e não voltou mais:

“A partir de 1920 Münter vive alternativamente entre Colônia, Munique e Murnau. Devido a uma constante depressão, praticamente deixa de pintar. Durante um período de residência em Berlim, em 1925, produz reduzidos retratos de mulheres feitos em lápis. Só após uma longa estadia em Paris em 1929/30, a sua atividade criativa colhe novo impulso.

Em 1932 regressa à sua casa em Murnau onde vive com o historiador de arte, Johannes Eichner. Durante este período pinta, sobretudo, flores e obras abstratas. Em 1937 os nazistas proíbem-lhe expor, pelo qual se retira da vida pública. Durante aSegunda Guerra Mundial, Gabriele Münter escondeu mais de 80 obras de Kandinsky e outros membros do Blaue Reiter, além de obras próprias, salvando-as da destruição”.

Gabrielle Münter

Gabriele Münter

As obras da Gabriele estão perto das obras da Marianne. Vale a pena ver o Kandinsky e vale mais a pena ainda reservar um tempo para essas duas artistas!

Até mais!

Priscilla Leal

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

 

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

2 Comments

  1. Guto Mendonça disse:

    Parabéns Priscila! Belo artigo. Da vontade de voltar para ver a exposição e dar uma atenção especial para estas mulheres.

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