Artistas que você TEM que conhecer: Cia do Miolo e Festival Juventude da Maré

Olha só que bacana o que aconteceu nessa última semana: recebi releases de duas artistas diferentes, perguntando se podiam divulgar o trabalho delas no Las Abuelitas. Além disso, dois assessores de imprensa, com quem fiz contatos, me mandaram sugestões de pauta. Eu adorei isso! é o espaço sendo preenchido.

A gente tem aqui no blog uma agenda que está passando por uma reestruturação: vai ficar mais bonita e funcional – prometo! Além desse espaço, temos os posts de domingo, nos quais apresentamos uma artista, um grupo ou um projeto para você. A linha curatorial é: o trabalho deve ser produzido, idealizado, dirigido ou feito, em sua totalidade, por mulheres.

Então hoje é dia da Cia do Miolo que estreia a peça teatral “Casa de Tolerância”, em São Paulo.

Filipeta Frente

 “Rompemos os muros! Rasgamos as paredes! Quantos corpos há aqui?”

 A montagem explora as questões das violências impingidas ao corpo da mulher e as intolerâncias e discriminações a tudo que seja ligado ao feminino. As atrizes da Cia. convidam o público para uma travessia pelos cômodos da casa, fazendo uma fricção entre realidade e representação. No percurso, em meio ao cotidiano doméstico, ações como cozinhar e lavar ganham outras dimensões narrativas, misturando-se à memória do lugar, uma antiga Casa de Tolerância. Tais memórias, disparam o argumento ficcional: as antigas moradoras teriam sido assassinadas e emparedadas na CASA, é urgente recuperar seus corpos e tantos outros violentados. Sala, quartos, cozinha, quintal evocam a lembrança dessas mulheres, para dar luz, à potência de vida e sonhos que em vão tentaram apagar.

Foto: Alexandre Kruger

Foto: Alexandre Kruger

PESQUISA

O Espetáculo CASA de TOLERÂNCIA foi criado em uma CASA – atual sede da Cia do Miolo – onde antes funcionava um prostíbulo doméstico. A pesquisa deu ênfase a CASA como elemento de uma poética necessária e urgente, a fim de tratar de um tema espinhoso e recorrente: a violência contra a mulher e contra tudo àquilo que se levanta como força no feminino. Entramos em contato com histórias locais e outras inúmeras histórias violentas e terríveis, como as das muitas mortas de Cidade Juárez, no México, que foram assassinadas brutalmente, apenas por serem mulheres, dando origem ao termo Feminicídio. Historicamente convivemos com a violência contra esses corpos: mulheres, transgêneros, performers e tantos que ousaram exaltar o feminino; é neste sentido, que o espetáculo por meio de narrativas reais/ficcionais, busca dar lugar a força de vida desses corpos silenciados. Desde a exploração sexual infanto-juvenil, ao extermínio por motivações transfóbicas, os corpos à margem vão sendo lembrados e exaltados por suas presenças insistentes pela VIDA.

Esta temporada é parte do projeto “Ocupações Teatrais- Esgotamentos e Utopias”, contemplado na 27ª edição de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo
Serviço:

Temporada: 21 de novembro a 13 de dezembro- sábados e domingos – 17h- grátis

Local: Rua Dr Ismael Dias 111- Penha (próximo ao metrô)

15 lugares por sessão

informações e reservas: ciadomiolo@gmail.com  ou 11-3871-0871

Foto: Alexandre Kruger

Foto: Alexandre Kruger

E para quem tá no Rio de Janeiro, também tem estreia! Com coordenação artística de Helen Sarapeck, o Parque das Ruínas, em Santa Tereza, recebe o Festival Juventude da Maré com espetáculos dos grupos teatrais de jovens moradores da comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro, integrantes do Teatro do Oprimido na Maré.

FESTIVAL JUVENTUDE DA MARÉ

Depois de dois anos de atuação no Complexo de Favelas da Maré, já tendo realizado dezenas de apresentações em circulação dentro e fora da Maré, além de três edições do #OcupaJovem, o Projeto Teatro do Oprimido na Maré chega, no dia 29 de novembro, ao Parque das Ruínas, em Santa Teresa, com o Festival Juventude da Maré apresentando das 8h às 18h as produções artísticas e os espetáculos dos três grupos teatrais formados por jovens moradores da Maré. Pela manhã, acontece a abertura da Exposição Visões da Maré sobre a trajetória de dois anos do projeto e um espaço infanto-juventil. Na parte da tarde, os grupos apresentam seus espetáculos cujo argumento, texto e músicas foram concebidos pelos próprios jovens, em processo colaborativo com direção e realização do Centro de Teatro do Oprimido. O Festival prestigia ainda outros artistas da Maré, que foram convidados a apresentarem pequenas cenas nos intervalos entre os espetáculos.

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A trajetória do Teatro do Oprimido na Maré

As atividades do Teatro do Oprimido na Maré acontecem semanalmente com a participação da juventude local onde esta por meio do teatro faz a leitura estética da realidade em que vive, buscando conhecer, debater, propor e intervir com novas formas de atuação comunitária na Maré a partir da metodologia do Teatro do Oprimido, internacionalmente reconhecido como transformador da realidade social das pessoas envolvidas.

Nos primeiros meses de atuação na Maré, em início de 2014, o Teatro do Oprimido na Maré realizou oficinas demonstrativas do método em toda comunidade. Dessas oficinas jovens, entre 15 e 20 anos, todos moradores da Maré, se candidataram para a formação de três grupos de Teatro do Oprimido (os chamados GTOs). Nos meses seguintes, esses jovens receberam treinamento na metodologia do Teatro do Oprimido, participaram de aulas de musicalização, cenografia, pintura, poesia e de cultura digital. No início de 2015 os grupos Maré 12, Marear e Marémoto, acompanhados de um diretor musical, um cenógrafo e um Curinga, começaram a conceber seus espetáculos cujos temas são ligados ao cotidiano da juventude. A escolha da temática, a concepção do texto e músicas das peças foram dos próprios jovens. Atualmente 36 jovens integram os três grupos.

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Realizado pelo Centro de Teatro do Oprimido, o Teatro do Oprimido na Maré conta com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, da SENAD – Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Ministério da Justiça por meio do Programa Viva Jovem e da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro por meio do Projeto do Ponto LapaMaré da Rede Carioca de Ponto de Cultura.

Para conhecer mais a respeito do Teatro do Oprimido na Maré acesse www.ctorio.org.br/ctomare.

FESTIVAL JUVENTUDE DA MARÉ
Data: Domingo, dia 29 de novembro, das 8h às 19h
Local: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre 169, Santa Teresa – Rio de Janeiro – tels. (21) 2215-0621 e 2224-3922
Classificação: LIVRE
ENTRADA FRANCA

E não se esqueça de olhar a nossa agenda, que sempre tem coisa boa lá!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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