Artistas que você TEM que conhecer: Bruna Portella – Cia Cortejo

Artistas que você TEM que conhecer: Tatiana Bueno – Nossa Companhia
fevereiro 21, 2016
Colaboradora – Lia Mendes
fevereiro 29, 2016
Ver tudo

Artistas que você TEM que conhecer: Bruna Portella – Cia Cortejo

Como disse no post passado recebi dois lindos releases com mulheres artistas maravilhosas: uma estreia nos palcos paulistanos e a outra nos cariocas.

Hoje vamos falar da atriz Bruna Portella, destaque na Cia Cortejo e que está em cartaz no Rio de Janeiro com a peça “Alice mandou um beijo“, no espaço SESC.

Bruna Portella

Bruna Portella foto Renato Mangolin

Como de praxe bati um papo com a Bruna via email. Olha só!

COMO SE DEU SUA CARREIRA DE ATRIZ E PRODUTORA?

Iniciei minha paixão pelo teatro aos 10 anos de idade quando, ao ver um espetáculo infantil em minha escola, insisti que meu pai me levasse ao curso de teatro que havia em minha cidade. Aos doze anos já estava trabalhando com um grupo de artistas locais, fazendo animações, cenas curtas, teatro empresarial, trabalhando na produção dos festivais como aprendiz, entre outras coisas. Desde então, nunca mais parei. Como todo artista no Brasil, a gente precisa pensar não só no trabalho artístico (Atriz), mas também em tudo o que envolve sua execução. E foi pensando dessa maneira que, fundando a Cia Cortejo ao lado de Rodrigo Portella, comecei a aprofundar ainda mais na área da produção artística, sempre com nossos projetos na área teatral e cinematográfica também. Estar envolvida num desde a primeira ideia até sua finalização, os mínimos detalhes, os problemas e soluções, o pensamento no futuro daquilo que a princípio era somente palavras escritas num papel, fez com que a arte virasse um projeto de vida. E muito desse sentimento é proporcionado pelo prazer de estar no palco e por trás dos refletores também.

ENCONTROU DIFICULDADES? QUAIS?

Sim. Vejo o trabalho com o teatro como um grande empreendimento e, como todo empreendedor, encontro sim dificuldades para ultrapassar algumas situações tais como: baixo orçamento, problemas com a prestação de contas, negociações com artistas envolvidos nas obras, dificuldades de relacionamento com os sócios, falha em algumas previsões orçamentárias…Mas, pude observar ao longo desses poucos, mas intensos anos de produção, que a grande falha está na desistência prematura e muitas vezes na inabilidade em pensar de maneira empresarial também o teatro. Nunca tive medo de ouvir NÃO. Há uns 4 anos atrás, se não me falha a memória, estive na tentativa diária de falar com a responsável por um espaço que todos nós da CIA CORTEJO, sonhávamos em apresentar um trabalho por lá. Foram inúmeras tentativas até o dia que consegui finalmente a oportunidade de falar com a gestora e apresentar meu projeto. Finalmente, depois de muita negociação, conseguimos finalmente o tão sonhado espaço. Não consigo imaginar o trabalho como produtora dissociada do trabalho de atriz. Sinto que é preciso muita paixão e envolvimento afetivo com meus projetos para que eles tenham vida longa. Costumo “brincar” com meus companheiros que sou uma mulher de muita fé, portanto, acredito também que ela me ajuda a realizar minhas conquistas.

POR SER MULHER, TEVE ALGUM OBSTÁCULO A MAIS?

Não. Acredito que toda dificuldade que encontrei foi inerente ao sexo. Pelo contrário, acho que por ser atriz e produtora, sendo mulher, tenho até algumas facilidades a mais que outros companheiros.

O TEATRO COSTUMA SER UM LUGAR DE IGUALDADE PARA NÓS MULHERES?

O teatro é um lugar de igualdade para todos. A arte capaz de agregar tantas outras artes. Não consigo ver nenhuma outra profissão tão generosa quanto esta. Vejo mulheres sendo iluminadoras, montadoras, atrizes, cenógrafas, figurinistas, diretoras, assistentes, produtoras, críticas, juradas, escritoras etc. Nunca pude observar desigualdades na área teatral. Pelo contrário, somos muitas e assumindo papéis importantes. Gosto de pensar que a igualdade, seja ela em qualquer classificação: sexual, religiosa, profissional, política e muitas outras. É uma conquista diária.

"Alice mandou um beijo"

“Alice mandou um beijo”

QUE DICAS VOCÊ DARIA PARA UMA MENINA QUE QUER INGRESSAR NA CARREIRA?

Infelizmente a arte para a grande maioria da população, é artigo de luxo. Portanto, é preciso ter clareza nos seus objetivos e lutar todos os dias incansavelmente contra uma série de obstáculos e barreiras até mesmo invisíveis e muitas vezes iniciadas dentro do próprio núcleo familiar que são contrárias ao teatro. Por muitas vezes, e até mesmo pelas dificuldades a vontade de desistir aparecerá e a luta acontecerá dentro de você. Mas, acredite, será a mais linda batalha de sua vida, chegar ao final e ver a quantidade de OUTROS que você foi um dia. Quantos risos e choros presenciados, aplausos, vaias, críticas… E ter ainda sim a certeza de que tudo isso é efêmero. O teatro não nos deixa testemunho, porque é a arte do presente. Acontece no agora, no encontro muito particular e especial de cada repetição presenciada por uma pequena quantidade de expectadores que levam com eles as sensações que sua obra de arte proporcionou. É triste, é lindo, é poético e é único!

Acredito que a vocação para a arte é uma dádiva, inexplicável. Uma fé, uma coisa que nasce com a gente. E como em qualquer outra profissão, é preciso descobrir se temos ou não.

E segue o release da peça!

“Alice mandou um beijo” estreia dia 13 de fevereiro, sábado, no Espaço Sesc.

Baseado nas memórias de infância do autor, Rodrigo Portella – indicado ao Prêmio Shell/RJ 2013 nas categorias: melhor diretor por “Uma história oficial” e melhor autor por “Antes da chuva” –, o espetáculo “Alice mandou um beijo” mergulha no universo das contradições familiares, criando uma trama onde o eixo central é a reconstrução da memória.
Quando a peça começa Alice já está morta. O público não a conhece pelo que ela é, mas pelo que descrevem dela. Paradoxalmente, Alice está viva dentro da casa. Todos falam dela todo o tempo, vestem suas roupas, executam suas tarefas, tentam assumir o seu lugar. O eixo dramático está nas delicadas decisões dos personagens diante da “ausência” de Alice, uma espécie de representação da coerência familiar. Alice é quem dava sentido àquela convivência. Diante de sua morte, as relações se refazem, se transformam instáveis e até mesmo impossíveis.

Com realização e produção da Cia Cortejo, o espetáculo “Alice mandou um beijo” cumpre temporada de estreia no Mezanino do Espaço Sesc, de 13 de fevereiro a 13 de março de 2016, com ingressos até 20 reais.

12744083_1256916760988845_24467635884699848_n

O enredo da peça

Apesar de jovem, Jandira, a filha do meio, segura a barra de cuidar de toda a família. Após a morte de Alice, ela tenta manter tudo como antes. Mas aos poucos, as coisas parecem se mover de modo que Jandira perde completamente o controle. Alice parece ter sido durante anos o ponto de equilíbrio daquela família. No passado, após a morte da matriarca, o pai, surdo e senil, sobrevive da troca de mimos com Alice. Robério, o filho autista de Jandira, tinha em Alice a única porta de comunicação com o mundo real. Oneida, a irmã mais velha, que sempre alimentou um ressentimento em relação à preferência do pai pela caçula, resolve investir em Osvaldo, o cunhado viúvo. Seu desejo é vender a casa e ir embora com ele pra uma cidade maior. Isso afeta terrivelmente Jandira, que além de ter mantido a vida inteira um amor platônico por Osvaldo, se vê agora diante da possibilidade de ficar sozinha cuidando de seu pai e de Robério, o filho a quem ela se dedica com muito pouca habilidade.

Ficha técnica

Texto e Direção: Rodrigo Portella
Co-direção: Leo Marvet
Elenco: Cia Cortejo / Bruna Portella, Jose Eduardo Arcuri, Luan Vieira, Tairone Vale e Vivian Sobrino.
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Daniele Geammal
Cenografia: Raymundo Pesine
Projeto Gráfico: Raul Taborda
Fotos de Divulgação: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Produção e Realização: Cia Cortejo

Obrigada Ney Motta por me enviar o release e me apresentar ao trabalho da Bruna!!!

Até mais!!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *