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Artistas que você TEM que conhecer: Ariane Mnouchkine

Ariane Mnouchkine é uma diretora de teatro francesa, fundadora do grupo Théâtre du Soleil em Paris (não confundir com o Cirque du Soleil!). A sede do grupo é na Cartoucherie de Vincennes, desde 1970.

Ariane

Esse espaço é bem interessante: La Cartoucherie era uma antiga fábrica de armamento! E a Ariane e alguns amigos transformaram na sede de um grupo teatral.

Filha de pai russo e mãe inglesa, Ariane Mnouchkine nasceu em Paris, em 1939. Seu pai, Alexandre Mnouchkine, era produtor de cinema.

“Lembro-me especialmente da filmagem de A Águia de Duas Cabeças, de Jean Cocteau. Eu tinha 8 anos. Fiquei maravilhada com a última cena”

Ainda assim, Ariane diz que nunca teve vontade de trabalhar diretamente com cinema.  A relação com o teatro começou durante um período em que ela esteve na Inglaterra, estudando na universidade de Oxford. Foi ali que o teatro universitário conquistou seu coração.

 “Pronto, é isso! é isso a minha vida”

De volta à França, estudou psicologia em Sorbonne e fundou a Associação Teatral dos Estudantes de Paris, ao lado de colegas. Quando nasceu o Théâtre du Soleil, Ariane tinha 25 anos.

A primeira montagem do grupo foi “Os Pequenos Burgueses”, de Górki, que obteve um certo reconhecimento local. Para dirigir a peça, Ariane conta que fazia a marcação dos atores com soldadinhos de chumbo em uma maquete. Àquela época, os intérpretes mais experientes ainda implicavam com o jeito dela trabalhar.

La Cartoucherie - http://paris12.cartridgeworld.fr/la-cartoucherie-vous-ouvre-ses-portes/#.VruewnnSmUk

La Cartoucherie – http://paris12.cartridgeworld.fr/la-cartoucherie-vous-ouvre-ses-portes/#.VruewnnSmUk

As encenações do Théâtre du Soleil são feitas fora do tradicional palco italiano (aquele que você senta na plateia e está de frente para o palco): são realizadas em ginásios, celeiros ou galpões. A metodologia utilizada é do processo colaborativo, vale dizer, não existe a separação entre diretor e ator. A peça teatral é construída com a interferência de todos os membros da equipe.

Outra curiosidade do grupo é que geralmente os atores vestem o figurino e se maquiam na frente do público! Isso porque, quando começaram na Cartoucherie, não tinham espaço para camarins. A diretora costuma falar que é o momento em que, enquanto  os atores colocam as máscaras, o público as tiram.

A Ariane Mnouchkine destacou-se no teatro, em um período em que esse era majoritariamente masculino.

Segundo a Wikipédia:

“Uma diretora ligada principalmente ao teatro de vanguarda, sua vitoriosa trajetória representa um marco na entrada da mulher num mercado de trabalho majoritariamente masculino”.

Nesta entrevista a artista mostra a sua paixão pelo teatro. Olha que bacana esta declaração:

Nem mesmo ao tomar um suco de maracujá na varanda de um café, Ariane baixa a guarda. “Fiquei observando os personagens cariocas, a forma como se moviam, seus ritmos, olhares. Esse é o trabalho do ator, deixar que o personagem entre como um vírus, antes de decidir que o personagem é assim ou assado”

A primeira vez que vi o Théâtre du Soleil foi no Sesc Belezinho e não faz muito tempo. É um trabalho lindo, de extrema delicadeza. É aquele tipo de espetáculo que os ingressos esgotam em menos de duas horas! Então se ficar sabendo que o Théâtre du Soleil está no Brasil…corra! Vale muito, muito a pena!

Até a próxima!

_MG_0162Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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