“Agosto” leva ao Oi Futuro peça premiada com o Tony e o Pulitzer para marcar 40 anos de carreira da atriz Guida Vianna

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“Agosto” leva ao Oi Futuro peça premiada com o Tony e o Pulitzer para marcar 40 anos de carreira da atriz Guida Vianna

Vencedor dos prêmios Pulitzer na categoria melhor drama e Tony na categoria melhor texto, “Agosto” (August: Osage County), de Tracy Letts, terá sua primeira montagem no Brasil a partir de 3 de agosto, no teatro do Oi Futuro Flamengo. A montagem vai celebrar os 40 anos de carreira da atriz Guida Vianna, que depois de muitos papéis cômicos vai interpretar um papel dramático na história sobre conflitos familiares que em 2013 foi adaptada para o cinema em “Álbum de Família”, filme protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts.

Com direção de André Paes Leme, o elenco de “Agosto” terá, além de Guida, Letícia Isnard, também como uma das protagonistas, e Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Claudio Mendes, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Julia Schaeffer, Lorena Comparato e Marianna Mac Niven. A peça mostra uma família disfuncional que se reúne depois que o pai desaparece, em um encontro de acerto de contas entre a mãe que se trata de um câncer e as irmãs que escondem pequenos e amargos segredos, inclusive de seus maridos.

No papel de Violet, Guida Vianna retorna aos palcos em “Agosto” após três anos dedicados a produções audiovisuais, na televisão e no cinema. “Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando”, analisa Guida. “Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca, e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir, e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece”. Guida Vianna celebra uma trajetória de mais de 40 espetáculos teatrais, sendo vencedora do Prêmio Shell 2004 e do Prêmio Qualidade Brasil 2006. No audiovisual, atuou em oito novelas, oito minisséries e 14 filmes. Atualmente, está no ar na série infantil “Valentins”, do canal Gloob.

Os principais conflitos de Violet são com a filha Barbara, interpretada por Letícia Isnard. “Violet guarda mágoa de Barbara porque ela não voltou para casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu”, conta Guida. “É a filha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela, e os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes”.

Intérprete de Barbara, atualmente em cartaz no cinema com “Um tio quase perfeito” e na Rede Globo nos seriados “Sob Pressão” e “Filhos da Pátria”, Letícia Isnard chama a atenção para como a semelhança com a mãe assombra sua personagem. “Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva”, explica. “Romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor”. Em crise com o marido, a filha adolescente, distante das irmãs e do pai, “Barbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização”, resume a atriz.

Agosto – foto © Silvana Marques

Montagem vai dividir o palco em cômodos para uma “múltipla espacialidade”

Atualmente se dividindo entre o Rio e Lisboa, o diretor André Paes Leme diz que o primeiro cuidado que teve com a adaptação foi “suavizar o contexto norte-americano” da peça. O segundo foi em relação ao “realismo acentuado” proposto pelo autor: “Priorizei as situações de conflito e busquei não valorizar ao detalhe a construção do ambiente de cada cena”, explica. “Me interessa a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas”, diz o diretor. “Textos como esse revelam o quanto imprevisível é o comportamento humano”.

A montagem de “Agosto” vai dividir o palco do Oi Futuro nos cômodos da casa em que se passa a história, em uma “múltipla espacialidade” que vai exigir uma visão ativa do espectador, avisa Paes Leme. “A ação passeia por todos os cômodos e a proposta do autor é que o espectador possa ver simultaneamente todos os ambientes”, diz Paes Leme. “Na nossa concepção, as cenas serão sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco”.

Isaac Bernat vive artista e professor na montagem brasileira
 
Em “Agosto”, Isaac Bernat vive dois personagens: Beverly, “um artista que só realizou uma grande obra”, como o próprio ator define, e Bill, o marido de Barbara, “um homem atormentado pelo amor que sente pela mulher e a impossibilidade de continuar com ela”. Eliane Costa vive Mathie Fae, uma mulher “potente, bem-humorada, libidinosa”, mas que exerce seu temperamento autoritário com o marido e o filho, como explica a atriz. Karen é a “mulher romântica com um passado sombrio”, que passa por cima da ética em busca da felicidade, segundo sua intérprete, Claudia Ventura. Para o encontro familiar, ela traz Steve (Alexandre Dantas), um homem com fraco por mulheres mais novas que se aproveita da baixa autoestima da companheira. Claudio Mendes interpreta Charlie, um agregado da família que consegue, por sua situação, distanciamento para interpretar os problemas de relação que testemunha. Ivy, interpretada por Marianna Mac Niven, se envolve com o primo Júnior (Guilherme Siman), o oprimido filho de Mathie Fae. Siman vê seu personagem como “um sujeito frágil, de bom coração, que se deixa arrastar pela vida, mas que enfim encontrou um afeto real, e está disposto a lutar por isso”. Completam o elenco Lorena Comparato como a adolescente petulante e ingênua Jean, e Julia Schaeffer, como a empregada Johnna, é a presença “que remete a um equilíbrio e paz interior, o que parece contrastante no meio de uma família desestruturada”.

Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz de “Agosto” uma tragédia. Tracy Letts usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra.

Autor é um dos mais importantes do teatro contemporâneo dos EUA

Nascido em Tulsa, Oklahoma, Tracy Letts é um dos mais importantes autores norte-americanos vivos. Vencedor dos prêmios Pulitzer na categoria melhor drama e Tony na categoria melhor texto, “August: Osage County” estreou em Chicago em 2007, na montagem do Steppenwolf Theatre Company (companhia a que pertence Letts), encenada depois em Nova York e Londres, entre outras cidades e países. Em 2013, a obra inspirou o filme “Álbum de Família” protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, além de Ewan McGregor, Juliette Lewis, Sam Shepard e Benedict Cumberbatch. E agora terá sua primeira montagem no Brasil pelas mãos da produtora Maria Siman, da Primeira Página Produções, em parceria com Andrea Alves e Sarau Agência de Cultura Brasileira.

“Agosto” é uma realização da Primeira Página Produções e Sarau Agência de Cultura. O espetáculo conta com o patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Cultura e da Oi, com apoio do Oi Futuro e copatrocínio Multiterminais. Recursos captados através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Lei do ISS Rio de Janeiro.

Em Portugal desde 2005, onde faz Doutorado na Universidade de Lisboa e é casado com a atriz e empresária portuguesa Patrícia Simões, André Paes Leme já montou cinco espetáculos em Lisboa, o mais recente no início desse ano como coordenador artístico da Escola da Cia Chapitô, por conta de uma encenação de grandes dimensões no Museu Nacional de Arte Antiga, que reuniu mais de 70 jovens artistas de circo. Em “Agosto”, ele volta a trabalhar com Andrea Alves, integrante de sucessos como “Gonzagão – a lenda”, “Ópera do Malandro”, “Gota D’água [a seco]”, “Auê” e “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”.

“Tenho uma parceria com o diretor André Paes Leme há mais de vinte anos”, diz Andrea. “Quando Maria Siman me convidou para coproduzir a peça e eu li o texto, achei que ele poderia adaptar e criar uma proposta diferente da encenação original, aproveitando a qualidade da dramaturgia a favor de uma teatralidade focada no texto e nos atores.

Responsável pela produção de importantes espetáculos como “Ensina-me a Viver”, “O Pequeno Príncipe”, “O Grande Circo Místico”, “Incêndios” e “Maria do Caritó”, Maria Siman adquiriu os direitos do texto teatral para montagem no Brasil após assistir ao filme “Álbum de Família”. “Percebi que se tratava de dramaturgia adaptada para o cinema e parti em busca dos direitos de montagem da peça no Brasil”, lembra.

Ficha técnica

Texto: Tracy Letts
Tradução: Guilherme Siman
Direção e Adaptação: André Paes Leme
Direção de Produção: Andrea Alves e Maria Siman
Idealização e Coordenação Geral: Maria Siman
Elenco: Guida Vianna (Violet Weston), Letícia Isnard (Barbara Fordhan), Alexandre Dantas (Steve Heidebrecht), Claudia Ventura (Karen Weston), Claudio Mendes (Charlie Aiken), Eliane Costa (Mattie Fae Aiken), Guilherme Siman (Charlie Júnior), Isaac Bernat (Beverly Weston/Bill Fordham), Julia Schaeffer (Johnna Monevata), Lorena Comparato (Jean Fordham) e Marianna Mac Niven (Ivy Weston).
Diretor Assistente: Anderson Aragón
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Figurino: Patrícia Muniz
Iluminação: Renato Machado
Música: Ricco Viana
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Fotografia: Silvana Marques
Patrocínio: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Oi
Copatrocínio: Multiterminais
Co-realização: Oi Futuro
Realização: Primeira Página Produções, Sarau Agência de Cultura Brasileira, Ministério da Cultura, Governo Federal – Brasil Ordem e Progresso.

Serviço

 

Oi Futuro – Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro (tel. 21 3131-3060)
Lotação do teatro: 63 pessoas
Temporada: 3 de agosto a 17 de setembro, quinta a domingo, às 20h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Venda na bilheteria de 3ª feira a domingo, das 14h às 20h ou pelo site ticketplanet.com.br
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 120 minutos
Gênero: Drama

Atendimento à Imprensa

Ney Motta | contemporânea comunicação

Priscilla Leal
Priscilla Leal
Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o) produtor(a) cultural, por isso convidei mulheres de diversas áreas para escreverem para nós. Idealizei e executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

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