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Adélia Prado e sua Poesia

Quando se fala em poesia, a primeira coisa que nos ocorre é a dificuldade de compreender certas metáforas ou a complicação de analisar suas rimas. Por vezes a leitura de um poema fica mais concentrada na decifração dos métodos de construção do que no encanto que os versos trazem. Contudo, há Adélia Prado, poetisa que nos encanta com a simplicidade dos seus poemas.

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Suas poesias encontram inspiração nas coisas corriqueiras do dia a dia, buscam aquela beleza escondida pela rotina, eclipsada pela monotonia. É como se o olhar de Adélia fosse mágico e conseguisse observar e absorver de uma forma incomum cada detalhe precioso que deixamos escapar pelas nossas vidas corridas, e somente nos damos conta de que não estamos prestando atenção correta à vida quando lemos um poema que de forma tão direta nos faz perceber particularidades lindíssimas do viver. Segundo a própria autora, toda obra de arte tem como objetivo atingir o momento poético, e esse momento poético acontece quando se consegue tocar no outro com a experiência da arte. E é exatamente isso que Adélia consegue fazer ao escrever sobre assuntos pertinentes à maioria das pessoas. Intensificamos nossas experiências de vida por meio de seus poemas.

“Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade.”

Na sua carreira, houve um hiato de dez longos anos sem produzir nenhuma poesia, mas ao final desse período publicou o excelente “Duração do dia”. Ela diz que ficou todo esse tempo sem escrever poemas porque não conseguia enxergar e sentir a poesia, e que o artista não precisa ser uma fábrica produzindo a todo instante. Esse bloqueio de se inspirar serviu para Adélia buscar novas experiências, olhar para a vida por novos ângulos e viver outras coisas e outros momentos. Sua poesia é verdadeira porque é sobre o que ela enxerga e sente da vida, não força metáforas e não busca preencher o sentimento e os sentidos de um poema com rimas cadenciadas e vazias.

“Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra.”

Assim como seus poemas, Adélia leva uma vida simples e comum, vive em um cidade pequenina em Minas Gerais, é cristã, mãe de cinco filhos, esposa e exerceu também a arte de lecionar por 24 anos. Começou a se dedicar à literatura somente após os 40 anos de idade, e seu primeiro livro, “Bagagem”, teve o incentivo de Carlos Drummond de Andrade para ser publicado. Depois, além de poesia, escreveu prosa e livro infantil. O surgimento de Adélia na cena literária brasileira foi um grande passo para a valorização da mulher e da escrita feminina na nossa literatura. É uma escritora que aprende com as experiências e que usa a própria vida como fonte de inspiração.

Juliana Lacerda
Juliana Lacerda
Estudante da área de tecnologia, superando a crise dos 30 e sempre correndo atrás dos sonhos. Apaixonada por livros, músicas, filmes, viagens e sensações. Acho que a vida vale muito mais a pena quando conseguimos seguir todas as direções que nosso coração aponta. É editora do site www.sembussola.com.br

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