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A importância das refugiadas nas causas femininas

No começo de 2015, foram contabilizados 52,9 milhões de refugiados, deslocados internos e sem pátrias no mundo. Eles provêm de diversos países e têm diversas razões. Os sírios, por exemplo, fogem da guerra e dos excessos da repressão do Governo do Estado Islâmico e de grupos rebeldes. O mesmo se pode afirmar sobre os refugiados que chegam de países como Nigéria, Somália e Afeganistão.

refugiadas

O grande número de pessoas em busca de refúgio na Europa criou uma crise política e humanitária. E as mulheres que fazem essa perigosa e cansativa travessia para alcançar a União Europeia sofrem ainda mais. Mulheres e meninas são vítimas de violência, ataques, exploração e assédio sexual em todas as etapas do trajeto da Turquia até a Grécia, por exemplo.

Ao analisarmos as necessidades e perspectivas das mulheres refugiadas, não podemos nos esquecer de que elas correspondem ao universo de vítima da violência, da exploração, do patriarcalismo e da misoginia.

A luta feminina pelos direitos e pela igualdade vem ganhando cada vez mais força e representatividade; seguimos lutando pela vida de muitas mulheres que ainda são abusadas e assassinadas. As vítimas de guerras são mais uma causa frente a esse panorama, pois são mulheres que se encontram ainda mais vulneráveis a esse tipo de abuso, devido às condições de trajeto, moradia e sobrevivência.

menina

No Brasil, os refugiados vêm de diversos lugares, como Síria, Angola, Colômbia e Líbano, e as mulheres refugiadas também são vítimas dos mesmos tipos de abuso e da falta de informação sobre os seus direitos. Muitas não sabem como recomeçar e, além disso, ainda precisam sobreviver em meio a todos os tipos de explorações.

Pensando nisso, a Rede Brasileira do Pacto Global da ONU criou, em novembro de 2015, um programa para empoderar as refugiadas. O objetivo do projeto é capacitar mulheres para o mercado de trabalho. Além de receberem lições práticas sobre emprego, elas passaram a conhecer mais sobre os seus direitos e, juntas, encontram forças para seguir em frente, recomeçar sua vida e redescobrir sua independência.

mulher 01

Ajudar essas mulheres refugiadas a recomeçar vai muito além de lhes dar a segurança necessária – isso deveria ser fator primordial e indiscutível. Ajudá-las nessa jornada é ressignificar o seu valor como mulher e como peça fundamental no desenvolvimento mundial.

Com todas essas questões emergindo, há um ponto de esperança: além de programas como esse desenvolvidos pela ONU, que ajudam na sobrevivência de tantas mulheres, num momento como este, em que critérios de gênero e identidade continuam presentes como possibilidades de discriminação ou abuso, esses mesmos critérios se tornam argumentos de superação e reivindicação de direitos e igualdade.

É o enfrentamento da complexidade e da problemática das relações que possibilita o debate de novos arranjos sociais e políticos e de um novo posicionamento perante as questões das mulheres.

muçulmana

E o posicionamento das mulheres artistas frente a isso não precisa se limitar apenas aos questionamentos e manifestações por meio de suas obras. Seja qual for a forma de arte, podemos incluir essas mulheres refugiadas e imigrantes, como foi o caso do Projeto Conexão MIS. O Museu da Imagem e do Som de São Paulo, no dia 25 de janeiro de 2016, exibiu uma programação completa incluindo cinema, dança, teatro, artesanato, exposição, gastronomia e debates com participação de artistas refugiados, chefs e imigrantes de diversos países árabes, Congo, Togo, Haiti e Senegal. Foi a nona edição do Conexão Cultural, dessa vez, voltado para a cultura do imigrante. As pessoas que estiveram presentes puderam conferir desde um workshop de fotografia e animação com recursos de design gráfico ministrado por uma refugiada palestina até oficinas com mulheres do Congo sobre o uso de turbantes.

São projetos como esse que ressignificam o valor dessas culturas e ao mesmo tempo dão um novo sentido ao trabalho do artista e à sua colaboração social.

Debora Delta
Debora Delta
Sou atriz, apresentadora e escritora. Em meu blog “Muito Além Do Óbvio” para a Revista Obvious escrevo entre outros temas, sobre o papel da mulher e sua importância na sociedade. No meu canal no Youtube “Flamingas”, debatemos sobre questões feministas. Discutir sobre a representatividade das mulheres na arte é algo empoderador em diversos sentidos, acredito que a partir da história de mulheres artistas podemos resignificar o nosso lugar no mundo, por isso é um prazer poder colaborar para o Las Abuelitas.

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