Direitos Autorais Passo a Passo – Parte I
junho 1, 2015
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5 RAZÕES PARA UM ESPAÇO DE MULHERES ARTISTAS

Você pode ter entrado neste blog e pensado: “Um blog que conversa com mulheres artistas? Clube da Luluzinha!”.  Mas eu vou mostrar para você que este espaço não é só importante, porém necessário. Vem comigo!

1 – PROMOÇÃO DA IGUALDADE DE GÊNERO E DIVERSIDADE CULTURAL

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foto:AlexVilasBoas

Você já deve ter ouvido falar de gênero. Atualmente, com a internet e com a facilidade de trocar e circular informações, muitos grupos estão discutindo a igualdade de gênero. Porém, o que é realmente gênero?

Em poucas palavras gênero é uma construção social, ou seja, é o que a cultura de uma sociedade entende por ser mulher e homem.  As diferenças de gênero não são decorrentes da biologia, do corpo físico, mas sim de um entendimento social que define comportamentos apropriados para homens e mulheres, que os definem na sociedade e, consequentemente, os diferenciam.

Logo, quando se fala em “Igualdade de Gênero” estamos falando em desconstrução de papéis, algo essencial para o exercício de direitos, equalização de oportunidades e diminuição da violência.

Diversidade Cultural é isso mesmo: uma diversidade de cultura. Pode existir entre duas sociedades diferentes ou dentro de uma mesma sociedade, que nunca é formada por um grupo só. A UNESCO tem um trabalho importante neste sentido, ao investir na Diversidade Cultural e no diálogo intercultural, consequência da diversidade.

Neste link  tem um relatório que conceitua e explica esses fenômenos.

Bem, deu para ter uma ideia geral destes dois conceitos, mas qual a relação deles com o tema deste blog?

A Desigualdade de Gênero é uma realidade que afeta muitos países, alguns mais outros menos, mas o degrau separando mulheres e homens está lá. No campo artístico essa realidade não é diferente. Existe uma invisibilidade das mulheres na historiografia da arte. É só você parar para pensar agora e me dizer: sobre quantas mulheres artistas você aprendeu na escola? Poucas eu imagino.

Essa exclusão afeta a diversidade cultural, uma vez que somente teremos acesso a um tipo de visão, que geralmente é a do homem branco europeu. Se considerarmos que a cultura é uma forma de propagarmos o estilo de vida de um período histórico, por exemplo, a visão das mulheres deixa de ser comunicada, perdendo-se no tempo.

2- A INVISIBILIDADE DAS MULHERES ARTISTAS

A ausência das mulheres na história da arte já foi discutida pela historiadora americana Linda Nochlin  que um dia  perguntou algo como: Por que não tivemos nenhuma artista equiparada a um Leonardo Da Vinci?  Pois é! Tivemos sim, grandes artistas mulheres, mas que se perderam por aí e que agora começam a ser resgatadas.

A escritora inglesa Virginia Woolf também fez uma pergunta semelhante, no livro “Um Teto Todo Seu”: e se Shakespeare tivesse uma irmã? A conclusão da autora não é otimista, Judith Shakespeare, a irmã inventada do grande dramaturgo, não teria tido as mesmas oportunidades, mesmo se tivesse o mesmo talento. Conclusão: se Shakespeare tivesse nascido mulher, não teríamos um Shakespeare!

Mas a grande questão é que sim existiram grandes mulheres que ousaram e foram artistas reconhecidas no seu tempo. Alguns museus estão começando a se sensibilizar com essa questão e exposições temáticas pipocaram. Ai vem a segunda pergunta: fazer uma exposição só com mulheres é reforçar estereótipos? A meu ver, em um momento de resgate, essas ações culturais iluminam uma ausência e a partir dessa porta que se abre, pode-se aprofundar o tema. Já estão sendo inaugurados, inclusive, museus com curadoria feminista.

Todo este movimento é importante, porque permite que a mulher seja representada no campo artístico, e nos obriga a olhar para o momento atual e fazer a mesma pergunta: E hoje estamos sendo representadas na arte?

É difícil analisar as condições sociais sem o necessário distanciamento histórico, mas algumas pesquisas recentes nos mostram que ainda nossa representação está bem abaixo do necessário.

A New York Film Academy realizou uma pesquisa para verificar como estava a relação de Hollywood com a desigualdade entre gêneros. E olha só, descobriu que além das atrizes ganharem bem menos que os atores, as mulheres são minoria atrás das câmeras, mas são maioria nas cenas de nudez, e por aí vai!

Portanto, não tem jeito, ainda precisamos destacar nossas mulheres artistas, promover a possibilidade de equalizar suas oportunidades com os homens, discutir o tema, resgatar as do passado, já que, mesmo levando a fama de “descolada” e “livre” a área artística também esta impregnada da cultura patriarcal.

É bacana destacar algumas ações da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que lançou editais direcionados às mulheres, fomentando assim a produção e a representatividades das artistas.

3- FOMENTO À PRODUÇÃO ARTÍSTICA DAS MULHERES E DIFUSÃO

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A discussão e os levantamentos realizados não podem ficar perdidos por aí. É necessário criar espaços para não só fomentar a produção das mulheres artistas como também difundir estes produtos culturais. Por isso, acredito que editais, festivais, seminários, encontros, exposições são válidas, na medida em que concretizam os debates realizados destacando o sujeito ausente. Sim, mulheres também são artistas, temos que nos recolocar na história e mudar esse destino.

Você já observou que quando uma mulher artista é destacada geralmente é algo ligado ao romance ou loucura? Claro que tem as exceções, mas  não é triste pensar que a exceção neste caso é a artista que foi bem sucedida em sua carreira sem um escândalo amoroso ou um evento de loucura?

Temos que burlar esse destino cruel. Acredito que a tecnologia pode ser usada a nosso favor. Muitas mulheres estão produzindo na web e divulgando seus trabalhos. E o “Las Abuelitas” aparece com o desejo de reunir todos esses trabalhos, fomentando essa produção.

Contudo, de forma alguma este blog tem a intenção de trabalhar com o conceito de arte feminina. O que se pretende aqui é criar um espaço no qual as mulheres que praticam a arte como ofício, seja principal como fonte de renda ou não, possam se sentir representadas, encontrar referências e trocar experiências sobre suas atividades.

O ideal, e espero que não em um mundo muito distante, é que este tipo de espaço seja obsoleto, já que o que importa é a criação artística e não o gênero do artista. Óbvio não? Mas já vimos que a coisa não é bem assim!

Este espaço virtual tem como objetivo difundir o trabalho da mulher artista e fomentar a sua produção artística, mas a arte aqui exposta não é feminina ou feminista, é simplesmente feita por pessoas do gênero feminino (escrevo gênero e não sexo, para incluir também a mulher transexual).

A intenção é trazer a mulher como protagonista dentro do campo artístico.

Outro fato importante para se destacar é que quando falo “MULHERES ARTISTAS” não estou me referindo apenas às mulheres que estão diretamente envolvidas com o fazer artístico e sim com todas que estão inseridas na cadeia da produção artística. Entende a diferença? Não só a atriz, a cantora ou a artesã estão inseridas nestas pesquisas e constatações, mas também a roteirista, a produtora, a operadora de câmera, a dramaturga, etc.

4- DIVERSIDADE DE MULHERES

Um aspecto importante que devemos considerar quando estudamos a “mulher” é que, dentro desse “grupo”, existe uma variedade de mulheres e cada uma com suas questões e dificuldades. É necessário conjugar a discussão de gênero com outros aspectos como raça, orientação sexual, classe social, por exemplo.

Esse aspecto não foi esquecido quando da formatação deste blog. No entanto, como a intenção é reunir, informar e divulgar o trabalho das mulheres artistas e, sendo este um espaço virtual, com longo alcance, concluímos que todos os grupos poderiam se sentir representados aqui.

Achei bem bacana a página da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que traz informações sobre as ações implementadas pelo órgão, no sentido de “promover a igualdade entre homens e mulheres e combater todas as formas de preconceito e discriminação herdadas de uma sociedade patriarcal”.

Tem uma página direcionada à Diversidade de Mulheres que se define assim: “As mulheres não formam um grupo homogêneo. Cada mulher reúne em si outras diversas identidades, diferentes culturas, etnias, orientações sexuais, idades, credos, cores e outras características. Quando as diferenças são transformadas em desigualdades, tornam-se necessárias políticas públicas específicas de promoção de igualdade de direitos e enfrentamento às desigualdades.

5- CULTURA PROPAGADORA DE PRECONCEITOS

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Se eu ainda não te convenci da importância deste espaço, tenho certeza que neste tópico eu consigo!

Você já reparou nas propagandas de cerveja? E de alimentos? Se você ligar agora a sua televisão, provavelmente vai ver ou a mulher representada como musa, com destaque para o seu corpo ou a mulher representada como mãe, a que cuida da casa, responsável pela limpeza e pela educação dos filhos.

A cultura de massa é uma das maiores propagadoras de estereótipos. Basta ver as novelas, as revistas e prestar atenção nas letras das músicas grudentas. Nós vamos engolindo isso todos os dias, mesmo sem querer.

E não só a cultura de massa nos injeta essas referências: reparem nas esculturas, livros, músicas. Claro que não podemos generalizar, mas me diga se não veio “MUSA” na sua cabeça? Pois é, a mulher na maioria das vezes é representada como um ser passivo, vista pelo olhar masculino. Ela não tem voz, não tem escolhas.

É necessário mudar essa cultura propagadora de preconceitos e discriminações, que perpetua a cultura patriarcal todo santo dia. E para mudar é preciso abrir espaço para novos protagonistas, dar voz aos grupos silenciados e ter novas visões expostas. A escritora Raquel Moreno, que discutiu o tema em livro, deu uma entrevista bem legal neste link .

Sendo assim, no meu ponto de vista, todo o espaço que tem como intenção “juntar” esses protagonistas calados é justificável. Pois só assim vamos conseguir inserir, na nossa sociedade engessada com a cultura patriarcal, novas referências, possibilitando a escolha do como se quer viver, do que se quer consumir e do que se quer ver.

Ampliar referências para no futuro meninas se verem representadas nas artes plásticas, no cinema, no teatro, nos games, não como musas petrificadas, mas sim como agentes da própria história.

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Sou atriz, advogada e gestora cultural. Reuni as três atividades neste espaço virtual, para criar um lugar de divulgação e compartilhamento de trabalho das mulheres artistas. Acredito na importância deste espaço para destacar essas mulheres e sua  relação com a arte. Também acredito na profissionalização da(o) artista e da(o)  produtor(a) cultural, por isso trago no blog informações jurídicas, que estão  envolvidas na atividade artística, além de informações de produção e gestão cultural.  Idealizei e  executei o seminário “Mulheres Artistas na Ditadura”, na Caixa Cultural São Paulo, em 2014.

2 Comments

  1. […] já mencionei aqui nos posts 5 razões para um espaço de mulheres artistas  e Artistas que você TEM que conhecer: Nina Simone e uma Pausa, quando falamos de mulher, não […]

  2. […] um festival só de mulheres? Aqui no blog já discutimos esse destaque de espaço, mas essa pergunta nunca deve ser perdida de vista. Afinal, se precisamos destacar nosso trabalho […]

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